O tradicional arroz com feijão, base da alimentação brasileira há décadas, está cada vez mais ausente das mesas do país. Segundo dados da Embrapa Arroz e Feijão (2023), o consumo dos dois grãos atingiu os menores índices desde os anos 1980 — um alerta para nutricionistas e profissionais da saúde sobre a mudança nos hábitos alimentares da população.
De acordo com o levantamento, o consumo anual médio per capita no Brasil caiu para 28,2 quilos de arroz e 12,8 quilos de feijão em 2023. Em 1985, o brasileiro comia, em média, 40 kg de arroz e 19 kg de feijão por ano. A tendência de queda continua: em 2024, o consumo foi de 28,5 kg de arroz e 13,2 kg de feijão, números muito próximos dos mínimos históricos. Para 2025, as estimativas apontam que os índices podem cair ainda mais.
Um levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), atualizado em julho de 2025, confirma a redução gradual e contínua do consumo de arroz e feijão ao longo das últimas décadas.
Preços caem, mas consumo também
Mesmo com queda nos preços no primeiro semestre de 2025, o consumo dos grãos não reagiu. Segundo dados da Scanntech, o consumo de arroz caiu 4,7% e o de feijão 4,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Curiosamente, o arroz ficou 14,2% mais barato, e o feijão teve redução de 17,5% nos preços. Isso indica que o motivo da queda não está no valor dos alimentos, mas sim na mudança dos hábitos de consumo dos brasileiros.
Vida moderna e dietas mudam o prato
O ritmo acelerado da vida moderna faz com que muitas pessoas deixem de cozinhar em casa e optem por refeições rápidas e industrializadas. Marmitas prontas, comidas congeladas e fast food ganharam espaço no dia a dia.
Além disso, novas tendências alimentares também influenciam o comportamento. Dietas com baixo teor de carboidratos, populares entre os mais jovens, priorizam proteínas e reduzem o consumo de grãos tradicionais. Pratos únicos, saladas com proteína e lanches substituindo refeições completas tornaram-se comuns.
Risco à saúde
Nutricionistas alertam que essa mudança representa um risco à saúde pública. A combinação do arroz e feijão oferece proteínas de alta qualidade, fibras e micronutrientes essenciais, sendo uma das bases mais equilibradas da dieta brasileira.
Com a substituição por alimentos ultraprocessados — ricos em gorduras, açúcares e sódio — cresce o risco de obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e até câncer.
“O arroz com feijão é um símbolo cultural e nutricional do Brasil. A redução do consumo desses grãos indica que estamos nos afastando de uma alimentação simples, saudável e equilibrada”, avalia um relatório da Embrapa.
Contexto e impacto social
O declínio do consumo reflete transformações culturais e econômicas. Enquanto famílias buscam praticidade, cresce a preocupação com o impacto de dietas industrializadas e a perda da tradição alimentar brasileira.
Para especialistas, retomar o hábito de incluir arroz e feijão nas refeições diárias pode ajudar a melhorar a segurança alimentar e reduzir doenças crônicas ligadas à má alimentação.
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