A empresa britânica de biotecnologia Oxitec inaugurou na última quarta-feira (2), em Campinas (SP), o maior complexo de produção de mosquitos do mundo. A unidade foi projetada para atender à crescente demanda por soluções inovadoras de controle biológico da dengue, zika e chikungunya no Brasil — país que registrou, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 6,2 milhões de casos suspeitos de dengue apenas em 2024.
A nova instalação terá capacidade para produzir até 190 milhões de mosquitos por semana, utilizando duas linhas principais de combate às arboviroses: os “Aedes do Bem” e os mosquitos com a bactéria Wolbachia.
Como funcionam os mosquitos modificados
Mosquitos com Wolbachia
A Wolbachia é uma bactéria naturalmente presente em muitos insetos e não oferece riscos à saúde humana ou animal. Ela age bloqueando a capacidade do Aedes aegypti de transmitir vírus. Quando mosquitos infectados com a Wolbachia se reproduzem com a população selvagem, a bactéria se espalha, reduzindo gradualmente o potencial de transmissão das doenças.
Aedes do Bem
Já a abordagem genética do “Aedes do Bem”, desenvolvida pela própria Oxitec, modifica apenas os machos da espécie. Esses mosquitos, ao cruzarem com fêmeas selvagens, transmitem um gene letal que impede que as filhas sobrevivam até a fase adulta — reduzindo a população de fêmeas, que são as responsáveis por picar e transmitir doenças.
Brasil lidera biotecnologia no combate à dengue
Antes da inauguração da nova planta da Oxitec, o título de maior fábrica de mosquitos do mundo pertencia à Wolbit do Brasil, sediada em Curitiba (PR). A unidade, criada em parceria entre o World Mosquito Program, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto de Biologia Molecular do Paraná, produz até 100 milhões de ovos por semana com apoio exclusivo do Ministério da Saúde.
Com duas das maiores biofábricas do planeta em operação, o Brasil consolida-se como referência global em estratégias de controle biológico de doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya.
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