Pesquisadores da Oregon Health and Science University, nos Estados Unidos, conseguiram criar óvulos humanos a partir de células da pele, em um avanço científico que pode mudar o futuro dos tratamentos de fertilidade. O trabalho, publicado na Nature Communications, é visto como um passo inicial promissor, embora ainda distante da aplicação clínica.
Segundo os cientistas, a técnica pode oferecer uma alternativa para mulheres em idade materna avançada, pacientes que perderam óvulos após quimioterapia ou mesmo para casais do mesmo sexo que desejem ter filhos geneticamente relacionados.
O procedimento se inspira em técnicas usadas na clonagem da ovelha Dolly nos anos 1990. Os pesquisadores transferiram núcleos de células da pele para óvulos doadores que tiveram seu núcleo removido. Cada núcleo carrega os 46 cromossomos humanos. Após a fertilização, os cientistas usaram um composto químico para reduzir o excesso de cromossomos, tentando deixar apenas os 23 necessários para se combinarem com os do esperma.
Apesar do avanço, os resultados mostraram problemas significativos: os cromossomos se organizaram de forma aleatória, gerando embriões iniciais com combinações incorretas. Dos 82 óvulos criados, menos de 10% se desenvolveram até o estágio comparável ao da fertilização in vitro convencional, e nenhum passou de seis dias de cultivo.
“É uma prova de conceito, mas ainda temos grandes desafios”, afirmou o professor Shoukhrat Mitalipov, que liderou a pesquisa. Ele estima que a técnica pode levar mais de uma década até ser considerada segura para aplicação em pacientes.
Especialistas independentes elogiaram o estudo, mas reforçaram a necessidade de cautela. Para Richard Anderson, da Universidade de Edimburgo, a possibilidade de gerar novos óvulos seria um “grande avanço” para mulheres que não podem ter filhos com material genético próprio. Já Roger Sturmey, da Universidade de Hull, destacou a importância de “governança robusta e diálogo aberto com a sociedade” diante das implicações éticas da pesquisa.
Mesmo com as limitações atuais, a descoberta reacende o debate sobre o futuro da reprodução assistida e abre caminho para possibilidades até então inimagináveis no tratamento da infertilidade.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












