Refinarias, distribuidoras e transportadoras de combustíveis montaram uma força-tarefa emergencial para manter o abastecimento no estado do Rio de Janeiro, após a interdição da Refinaria de Manguinhos (Refit) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O plano de contingência, anunciado nesta segunda-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), inclui operação 24 horas, reforço da produção e aumento da logística de transporte.
Com a Refit fora de operação desde sexta-feira (26), a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), da Petrobras, ampliou sua capacidade produtiva. Além disso, uma frota adicional de cerca de 200 caminhões por dia passou a operar a partir de refinarias localizadas em São Paulo, assegurando o fornecimento de gasolina, diesel e outros derivados aos postos de combustíveis e clientes industriais.
A Refit era responsável por atender cerca de 20% da demanda fluminense — especialmente na Baixada Fluminense e no norte do estado — além de 10% do mercado de combustíveis do estado de São Paulo.
Monitoramento em tempo real
De acordo com o IBP, foi criada uma sala de situação para acompanhar em tempo real o fornecimento, identificar gargalos e garantir a coordenação entre empresas e autoridades. “Nossa força-tarefa logística trabalha para que cada posto e cada consumidor industrial permaneça abastecido sem interrupções”, informou o instituto em nota.
A medida é semelhante às ações realizadas em momentos críticos, como os temporais no Rio Grande do Sul e as secas que afetaram a navegação nos rios da Região Norte.
Interdição e suspeitas contra a Refit
A ANP decidiu interditar a Refit de forma cautelar após constatar diversas irregularidades em fiscalização feita em conjunto com a Receita Federal e a Marinha. A operação encontrou indícios de que a refinaria não estava efetivamente refinando petróleo, importando produtos praticamente prontos — como gasolina e diesel S10 — sem autorização adequada.
Também foram identificadas suspeitas de sonegação fiscal e importação de combustíveis não especificados, com indícios de que a prática visava reduzir a carga tributária. Outro problema apontado foi a utilização de tanques de armazenamento sem autorização da ANP.
A interdição aconteceu no mesmo dia em que a segunda fase da Operação Cadeia de Carbono apreendeu dois navios com 91 milhões de litros de óleo diesel destinados à Refit. A ação é desdobramento da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto, que investiga supostos vínculos entre a Refit e o crime organizado, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Resposta do setor e da Refit
Tanto o IBP quanto o Instituto Combustível Legal (ICL) apoiaram a atuação das autoridades. Para as entidades, a fiscalização é essencial para combater fraudes e garantir concorrência justa no setor.
“O Brasil conta com um parque de refino robusto, liderado pela Petrobras, além de empresas privadas e importações regulares, garantindo segurança energética ao país”, destacou o ICL.
A Refit, por sua vez, negou qualquer atividade ilegal. Em nota divulgada à imprensa, a empresa afirmou ter recebido a decisão com “surpresa e indignação” e garantiu atuar de forma ética, com processos certificados e rígido controle de qualidade.
Nesta segunda-feira, a refinaria também emitiu um comunicado aos investidores, reiterando que “não há qualquer decisão definitiva sobre a interdição” e que seguirá pautando suas ações por valores e princípios legais.
Sobre a Refit
Fundada em 1954 e rebatizada em 2017, a Refinaria de Manguinhos é a mais antiga refinaria privada em operação no estado do Rio de Janeiro. Localizada às margens da Avenida Brasil, emprega cerca de 2.500 pessoas.
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