Após intensas negociações, o Santos decidiu não seguir com a tentativa de retorno de Jorge Sampaoli ao comando técnico do clube. As exigências do treinador argentino acabaram irritando a diretoria, especialmente o executivo de futebol Alexandre Matos.
Embora já houvesse acordo sobre tempo de contrato, salário e multa rescisória, Sampaoli continuou fazendo pedidos que incomodaram a cúpula santista. Entre eles, exigiu a contratação de três reforços: um lateral-esquerdo, um meio-campista e um atacante veloz, que ocupariam os lugares de Souza, Gabriel Bontempo e Robinho Jr., jovens promovidos da base ao elenco principal neste ano.
A diretoria entende que o trio não é responsável pelo desempenho ruim do time nesta temporada. Souza e Bontempo, inclusive, vinham se firmando como titulares sob o comando de Cléber Xavier, enquanto Robinho Jr., recém-promovido, tem atuado menos devido à concorrência no ataque.
O treinador ainda solicitou que o Santos buscasse jogadores de “nível europeu”, atuando nas principais ligas do continente. No entanto, o clube enfrenta limitações financeiras após investimentos recentes, e a contratação dos atletas indicados por Sampaoli custaria ao menos 10 milhões de euros (cerca de R$ 63 milhões).
Além disso, Sampaoli queria afastar dez jogadores do elenco atual, justificando a necessidade de novas contratações para montar o time que desejava. Desde janeiro, ele está desempregado, após deixar o Rennes, da França.
Em entrevista ao jornalista argentino César Luis Merlo, Sampaoli chegou a afirmar que estaria disposto a assumir o comando santista, mas reforçou a necessidade de investimentos para viabilizar um projeto esportivo consistente:
“É um orgulho que o clube me procure e um grande desafio. Estou disposto a assumir, mas pedi à diretoria que faça um esforço com os reforços para consolidar um bom projeto esportivo.”
Sem técnico desde a demissão de Cléber Xavier, o Santos enfrenta enorme pressão após a goleada sofrida para o Vasco no último domingo. Dois dias depois, torcedores invadiram o CT Rei Pelé com faixas, cartazes e cânticos de protesto contra dirigentes e jogadores, em ato acompanhado pela Polícia Militar. Neymar estava presente no local.
O episódio intensificou a tensão em um ambiente já fragilizado. A equipe ocupa atualmente a 15ª posição no Brasileirão, com 21 pontos, muito próxima da zona de rebaixamento. A diretoria ainda não se manifestou oficialmente sobre o protesto, mas sabe que a escolha do próximo técnico terá impacto direto tanto no desempenho do time quanto na relação com a torcida.
*Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












