Um dos maiores desafios da cartografia é representar a superfície esférica da Terra em um plano de forma precisa e legível. Pensando nisso, um grupo de cientistas desenvolveu um novo mapa que lembra um disco de vinil, com dois círculos que mostram separadamente os hemisférios norte e sul.
Embora nenhum mapa seja perfeito, essa nova projeção é considerada a mais fiel já criada, segundo Richard Gott, um dos autores do projeto. “Um mapa pode ser muito bom em um aspecto, mas não tão bom em representar outros”, afirmou Gott.
Historicamente, a dificuldade em mapear a Terra com precisão era menor, pois os mapas antigos cobriam apenas partes do planeta, como Eurásia e África, e não exigiam tanta precisão. Na era moderna, no entanto, a necessidade de mapas mais exatos cresceu, especialmente para a navegação marítima.
A projeção de Mercator, desenvolvida no século XVI, ainda é muito usada, pois mantém a forma dos continentes, mas distorce os tamanhos, ampliando regiões próximas aos polos. Já a projeção Winkel-Tripel, criada em 1921 pelo cartógrafo alemão Oswald Winkel, apresenta menos distorções e é usada pela National Geographic Society, mas ainda sofre com cortes no mapa.
Para avaliar a qualidade dos mapas, David Goldberg e Richard Gott criaram em 2007 um sistema que mede distorções em seis critérios: formas locais, áreas, distâncias, flexão, assimetria e cortes. Um globo perfeito recebe nota zero, e qualquer distorção soma pontos negativos.
Segundo essa avaliação, o novo mapa criado pela equipe apresenta um erro menor (4,497 pontos) que a projeção Winkel-Tripel (4,563 pontos).
A inovação principal está no “truque” usado para evitar os cortes tradicionais, posicionados geralmente no Oceano Pacífico. O novo mapa funciona como um disco com duas faces, conectando os hemisférios para preservar a continuidade da superfície terrestre.
Além de mapear a Terra, os cientistas aplicaram essa nova projeção para representar outros corpos celestes do Sistema Solar, a abóbada celeste e até o Fundo Cósmico de Micro-ondas, mostrando seu potencial para a astronomia.
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