Durante anos, videogames foram quase sinônimos de juventude. Mas essa relação direta está começando a se enfraquecer. Um novo levantamento feito por Mat Piscatella, analista da empresa de pesquisas Circana, revelou que a Geração Z reduziu em quase 25% seus gastos com jogos no último ano — uma queda muito mais acentuada do que a observada entre outras faixas etárias, que registraram reduções modestas.
O estudo, focado no mercado dos Estados Unidos, aponta para uma transformação importante no comportamento de consumo dos jovens. A inflação contínua, o alto custo da educação, dificuldades de inserção no mercado de trabalho e a perda de poder aquisitivo têm forçado muitos a cortar gastos considerados não essenciais — incluindo os games.
“Entre novos jogos e comida, as pessoas (normais) escolherão comprar comida”, comentou Piscatella, reforçando como decisões financeiras básicas estão moldando os hábitos de uma geração que cresceu jogando.
Consoles mais caros, jogos com preços em alta
Diferente do que ocorreu em gerações anteriores, os preços de consoles como o Nintendo Switch aumentaram ao longo dos anos, com previsão de novos reajustes para jogos também. Isso criou um cenário de acesso mais difícil ao entretenimento digital, especialmente para os mais jovens, que já enfrentam uma renda limitada.
Na Europa, o retrato é ainda mais preocupante. Segundo dados divulgados pelo El Economista, a perda de poder de compra entre jovens com menos de 35 anos chegou a 8% em apenas um ano. Além disso, o patrimônio líquido dessa faixa etária caiu quase 50% nas últimas duas décadas — um dado que reforça o impacto econômico prolongado sobre a juventude.
Lazer em transformação
Com menos dinheiro disponível e novos interesses, os jovens estão reavaliando suas prioridades de lazer. Em vez de gastar com jogos, álcool ou tabaco, muitos têm optado por experiências mais sociais, como viagens, festivais, eventos culturais e shows.
Essa tendência marca uma ruptura com os padrões anteriores e sinaliza uma nova fase de consumo para a Geração Z. Os videogames, ainda relevantes, agora dividem espaço com outras formas de entretenimento — muitas vezes presenciais e voltadas à vivência real.
O que antes era uma certeza — a juventude como público fiel dos games — agora parece um reflexo das pressões econômicas e sociais que redefinem o que é lazer e o que é prioridade em tempos de instabilidade.
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