A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta quarta-feira (23) a operação Portare, que investiga um esquema de fraude em contratos de locação de veículos destinados ao atendimento da saúde indígena no Distrito Sanitário Especial Indígena de Cuiabá (DSEI Cuiabá), em Mato Grosso.
De acordo com as autoridades, as irregularidades ocorreram entre 2023 e 2025, com prejuízo estimado em R$ 1,3 milhão aos cofres públicos. As investigações revelaram indícios de superfaturamento, entrega parcial dos veículos contratados e pagamento de vantagens indevidas — indícios que apontam para acertos prévios entre servidores públicos e representantes da empresa vencedora da licitação.
Além das fraudes nos contratos vigentes, a PF e a CGU identificaram irregularidades em uma nova licitação realizada recentemente, como o vazamento de informações sigilosas, apresentação de preços incompatíveis com o mercado e o descumprimento das cláusulas contratuais por parte da empresa contratada.
A operação busca aprofundar a responsabilização dos envolvidos por crimes como fraude à licitação, peculato, corrupção ativa e passiva, além de associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de Cuiabá (MT) e em outros municípios ainda não divulgados oficialmente. Os materiais recolhidos incluem computadores, documentos e celulares que podem aprofundar as investigações.
A Controladoria-Geral da União informou que já havia alertado o Ministério da Saúde sobre os indícios de irregularidade, o que contribuiu para o aprofundamento das apurações em curso.
O Ministério da Saúde, responsável pela gestão dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.
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