O deputado estadual Eduardo Suplicy (PT) e a vereadora Luna Zarattini (PT) protocolaram nesta sexta-feira (21) uma representação no Ministério Público de São Paulo solicitando investigação urgente sobre o paradeiro dos usuários de drogas que frequentavam a região da Cracolândia, no centro da capital paulista. A movimentação ocorre após o repentino esvaziamento da área, fato que gerou desconfiança entre especialistas e moradores.
Segundo os parlamentares, há um “conjunto sistemático e articulado de denúncias” que sugerem a prática de graves violações de direitos humanos por parte de agentes públicos. A principal suspeita é que a operação tenha sido parte de um processo de higienização social para retirar, à força ou por meio de ofertas questionáveis, usuários da região central da cidade.
De acordo com a denúncia, pessoas em situação de vulnerabilidade estariam sendo transportadas em vans da prefeitura para bairros periféricos ou até para municípios da Grande São Paulo, como Guarulhos. Moradores do Jardim Tremembé relataram aumento no número de usuários circulando no bairro, alguns com notas de R$ 100 — indício de que teriam sido pagos para se deslocar.
Em Guarulhos, a prefeitura abriu uma investigação para apurar a chegada de pessoas vindas da capital sem qualquer articulação institucional.
Além disso, profissionais da rede pública de saúde relataram à imprensa a formação de um novo fluxo sob viadutos, com a preocupação de que parte dos usuários tenha sido internada contra a vontade — ou seja, de forma involuntária.
Violência e dispersão
Um episódio de violência da Guarda Civil Metropolitana (GCM), no dia 13 de agosto, véspera do esvaziamento da Cracolândia, foi registrado por vídeos. Agentes foram flagrados agredindo pessoas em situação de rua. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana informou que abriu investigação para apurar as condutas dos envolvidos.
Declarações do prefeito
Em entrevista coletiva no último dia 14, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) defendeu as ações da sua gestão na região. “A gente já avançou muito”, declarou, afirmando que, embora os problemas persistam em locais como o Glicério, houve grande redução no número de usuários.
O prefeito ainda criticou a imprensa, acusando os veículos de comunicação de não reconhecerem os avanços da atual política pública para a região. “Eu duvido que vai ter um jornalista capaz – um sério – de dizer que não tivemos avanço”, desafiou.
Queda no número de usuários
Dados da própria prefeitura mostram uma queda expressiva no número de pessoas concentradas na Cracolândia. Em março, o pico foi de 489 pessoas; em abril, 382; já em maio, o número caiu para 181. Ainda assim, especialistas alertam que o número não reflete a resolução do problema, mas sim sua dispersão pela cidade.
Deslocamento e invisibilidade
Para Suplicy e Luna, o problema não foi resolvido, apenas transferido de lugar. Eles alertam que a ausência de políticas públicas estruturadas, como moradia, saúde mental e assistência social, apenas agrava a situação de vulnerabilidade das pessoas atingidas.
A expectativa agora é que o Ministério Público apure com rigor as denúncias e exija da prefeitura explicações formais sobre os deslocamentos forçados e possíveis internações ilegais.
*Da Agência Fonte Exclusiva com informações da Agência Brasil. Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor seite de notícias do Rio de Janeiro.












