Haley Sipes, mãe de três filhos, conquistou uma perda de 75 kg em 10 meses apenas com dieta e exercícios. Quando internautas no TikTok sugeriram que ela usava Ozempic, a jovem de 31 anos sentiu-se desvalorizada: “Meu ego ficou ferido. Eu fiz tudo sozinha”, contou em entrevista ao site Yahoo Life.
Porém, manter o peso se mostrou mais difícil do que alcançá-lo. Após ser diagnosticada com síndrome dos ovários policísticos (SOP), seu médico receitou Zepbound. Em 15 semanas, Sipes recuperou o controle: “A medicação me devolveu o poder”, diz.
O boom das prescrições de GLP-1
Entre 2020 e 2023, prescrições mensais de agonistas de GLP-1 (como Ozempic e Wegovy) para mulheres de 18 a 25 anos aumentaram 650%, segundo estudo de maio de 2024 publicado no JAMA.
Em 2023, elas representaram 75% das prescrições para adultos abaixo de 26 anos. A endocrinologista Joyce Lee, da Universidade de Michigan, aponta que a diferença de gênero não se explica apenas pela obesidade (9% mais comum em mulheres). “Há uma pressão social maior sobre a aparência feminina”, ressalta.
Pressão social e saúde: um equilíbrio delicado
Embora homens também enfrentem expectativas (como uso de hormônios para crescimento), mulheres lidam com escrutínio intenso sobre métodos de emagrecimento.
Empresas farmacêuticas são criticadas por marketing direcionado a influenciadoras plus size, enquanto a internet especula se celebridades usam medicamentos. Sipes reflete: “A cultura da dieta é tóxica, mas é normal querer se orgulhar do próprio corpo.”
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Além da estética: Saúde reprodutiva e “ruído alimentar”
Para muitas mulheres, os GLP-1s vão além da estética. A SOP, que afeta até 10% das mulheres em idade reprodutiva, está ligada à resistência à insulina e ganho de peso.
Sipes relatou melhora em sintomas como cólicas e inflamação após iniciar Zepbound. Além disso, os medicamentos reduzem o “ruído alimentar” — pensamentos obsessivos sobre comida. “Meu cérebro finalmente desligou a culpa constante”, compartilha.
Fertilidade e futuro: O que ainda não sabemos
Embora os GLP-1s possam melhorar a ovulação em mulheres com SOP, seu uso é desaconselhado na gravidez devido a riscos em estudos com animais. A endocrinologista Alyssa Dominguez alerta: “Muitos acham que é uma solução temporária, mas ainda não sabemos os efeitos de parar ou usar por décadas.”
Enquanto isso, o custo elevado não impede a popularidade: em 2024, 1 em cada 10 prescrições nos EUA era para um GLP-1.
Um fenômeno que redefine a saúde pública
Especialistas creditam aos GLP-1s a primeira queda na obesidade em uma década. Porém, Joyce Lee questiona: “Estamos apenas remediando o problema?” Para Sipes, a resposta é pessoal: “Finalmente me sinto normal. É libertador.” Enquanto a ciência busca respostas, milhões de mulheres seguem entre esperança e incerteza.
*Este conteúdo foi atualizado com dados de estudos recentes e depoimentos de especialistas para orientar escolhas informadas sobre saúde e bem-estar.
*Da Agência Fonte Exclusiva com informações do Yahoo News. Compartilhe esta notícia do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












