É preciso levar muito a sério às recentes declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no evento do MPF (Ministério Público Federal), em alusão ao Dia Internacional Contra a Corrupção. O evento foi realizado na quinta-feira (7).
Foram palavras duras que não pouparam os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), além de incluir os Ministérios Públicos na relação de órgãos contaminados pelo que definiu como “corrupção institucionalizada”.
Moraes afirmou que há uma influência do crime organizado na política e no Judiciário, assim como nos MPs, enfatizando muito a situação do Rio de Janeiro. Para reverter esta situação, sugeriu a adoção da mesma estratégia utilizada para combater a corrupção em empresas estatais.
“O tráfico de drogas não é só um problema de drogas. O tráfico de drogas é um problema de corrupção nas polícias, de corrupção nos ministérios públicos, de corrupção no Poder Judiciário. No mínimo corrupção por omissão. E corrupção nas Assembleias Legislativas, governo de estado. Ninguém aqui acha que é possível tráfico de drogas, vamos pegar o estado do Rio de Janeiro, milícias, o crime organizado crescer tanto, se não houver uma corrupção institucionalizada, se não houver o avanço do crime organizado nessa corrupção”, afirmou.
Em comparação entre a atuação do crime organizado no Rio de Janeiro e em São Paulo, o ministro pontuou distinções no formato de atuação e a infiltração institucional em vários órgãos no estado fluminense seria uma delas:
“São Paulo tem uma criminalidade organizada forte, o PCC. Mas qual a grande diferença em relação, seja a São Paulo, seja outros estados, em relação à criminalidade organizada no estado do Rio de Janeiro? É que a criminalidade organizada está infiltrada institucionalmente em vários órgãos. Isso é uma verdadeira corrupção”, destacou.
“Como é possível tantos fuzis chegarem no alto de um morro no Rio de Janeiro se não houver corrupção? É algo absolutamente impossível”, disse
Para Moraes, as mesmas técnicas de investigações utilizadas contra a corrupção deveriam ser utilizadas contra crimes contra tráfico de drogas, milícias e jogo do bicho:
“Por que não utilizarmos os mecanismos que foram utilizados no combate à corrupção, que se tornava sistêmica em empresas estatais, porque não utilizarmos esses mesmos mecanismos legais, essa mesma visão de investigação, em relação ao tráfico, em relação às milícias, em relação ao vergonhoso jogo do bicho? Jogo do bicho é uma criminalidade organizada que tem nas costas centenas de homicídios”, disse.
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