O autointitulado economista libertário e líder do La Libertad Avanza (LLA), Javier Milei, é o presidente eleito da Argentina. O deputado de extrema-direita venceu o adversário, o atual ministro da economia Sergio Massa, candidato da União pela Pátria (UxP), nas eleições realizadas neste domingo (19).
Com 99,28% dos votos apurados, o líder do LLA alcançou 55,69% de aprovação do eleitorado, contra 44,30% de Massa. O atual ministro da economia conseguiu vencer seu adversário em três províncias: Buenos Aires, Santiago del Estero e Formosa.
Em seu primeiro discurso após o anúncio dos resultados das eleições, Milei afirmou que a partir de hoje “começa a reconstrução” do país e “o fim de sua decadência”.
Em suas declarações, o líder do LLA pediu ao atual governo que “seja responsável” nos dias de transição, antes de assumir o poder em 10 de dezembro, para “poder transformar essa trágica realidade para a Argentina”.
Do bunker de seu partido, e diante de milhares de militantes que o aplaudiam gritando “presidente” e “liberdade”, o deputado do LLA agradeceu aos seus eleitores pelo “milagre” de tornar possível que o país tivesse um líder “liberal libertário”. Ele também agradeceu aos líderes da aliança oposicionista Juntos pela Mudança (JxC), Mauricio Macri e Patricia Bullrich, por apoiarem sua candidatura contra Massa.
Milei garantiu que durante seu governo trabalhará “lado a lado” com todas as nações “do mundo livre”, depois de ter antecipado durante a campanha que não terá relações com Brasil ou China, por considerar seus governos “comunistas”.
“Em 5 anos seremos uma potência mundial novamente”, prometeu o presidente eleito.
Massa parabeniza o adversário
Ainda com a apuração em andamento, Massa admitiu a derrota no segundo turno contra Milei antes do anúncio dos resultados oficiais. O político parabenizou o adversário pela vitória.
“Javier Milei é o presidente que os argentinos elegeram”, disse Massa do bunker do partido na cidade de Buenos Aires.
“Foi uma campanha longa e difícil, que em algum momento teve conotações duras”, disse o candidato e pediu que “o valor da convivência democrática e do respeito por quem pensa diferente seja instalado para sempre”.
Massa disse que cumprimentou o presidente eleito e ressaltou o respeito à democracia: “A coisa mais importante que temos que deixar aos argentinos é a mensagem de convivência, diálogo e respeito à paz”.
Massa garantiu a “responsabilidade” do governo para que “amanhã” sejam colocados em prática “mecanismos de ligação e transição” para que os argentinos, nos próximos 19 dias, não tenham dúvidas nem incertezas sobre o novo funcionamento do país.
Ele também pediu a seu rival do LLA que se mantenha firme na estabilidade institucional e econômica da Argentina.
“A partir de amanhã, a responsabilidade e a tarefa de fornecer certeza e transmitir garantias sobre o funcionamento político, social e econômico da Argentina é responsabilidade do presidente eleito e esperamos que ele o faça.”
Ascensão meteórica
Javier Milei venceu as eleições presidenciais depois de se tornar subitamente um dos principais líderes da extrema-direita internacional, apesar dos escândalos incessantes durante a sua campanha.
O economista de 53 anos conseguiu chegar à presidência em tempo recorde, já que iniciou sua carreira política há apenas dois anos, quando concorreu pela primeira vez a um cargo eletivo e conquistou um mandato de deputado.
Há quatro anos ganhou notoriedade como um economista midiático, que se definia como “anarcocapitalista” e “liberal”. Por falta de controle, ameaças e insultos contra jornalistas e a classe política tradicional (que batizou de “casta”), conquistou cada vez mais eleitores em um país com inflação que ultrapassa 100% e com elevação no índice de pobreza nos últimos anos.
Uma das promessas mais populares de Milei é acabar com “a casta”, como ele define a classe política privilegiada e corrupta. No entanto, em suas negociações políticas, acabou se aliando a personagens que representam tudo o que ele supostamente defenestrou, especialmente nas províncias.
O corolário dessa transformação foi o pacto que selou com o seu ex-rival Patricial Bullrich e o ex-presidente Mauricio Macri, após as eleições gerais de 22 de outubro, nas quais ele e Massa foram para o segundo turno.
Desde então, tenta mudar sua imagem. Foi moderado, baixou a voz e os insultos e continuou a prometer que era a mudança e tiraria a Argentina da “decadência”. A maioria dos eleitores acreditou nele.
Alianças com Macri e Bullrich
A definição do segundo turno foi decidida em 22 de outubro, quando Massa terminou em primeiro lugar com 37% dos votos contra 30% de Milei.
O economista “libertário” surpreendeu ao liderar as primárias de agosto, quando foi o candidato mais votado, com 29,98%. Após o retorno de Massa nas eleições gerais, Milei selou um acordo com os líderes do Juntos pela Mudança (JxC), a ex-candidata Patricia Bullrich e o ex-presidente Mauricio Macri (2015-2019).
Apesar de Milei ter sido muito crítico de ambos durante a campanha, Macri e Bullrich deixaram de lado suas “diferenças” e pediram um voto pela “mudança”.
Com um discurso focado na “antipolítica”, o deputado do LLA conseguiu colher boa parte do “voto raivoso”, em um país que passa por sérias dificuldades econômicas, com uma inflação anualizada de 143% que Massa, como ministro da Economia do governo peronista de Alberto Fernández, não conseguiu reverter.
Da RT com edição da Agência Fonte Exclusiva. Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











