A intensificação das disputas territoriais entre grupos armados na região metropolitana do Rio de Janeiro estão elevando o número de mortes e feridos em decorrência desses conflitos. Dados do Instituto Fogo Cruzado apontam que ao longo do mês de junho deste ano, 80 tiroteios ocorreram na Zona Oeste.
Ao todo, 53 pessoas foram baleadas, sendo 36 mortas e 17 feridas. O número de mortos na região é maior do que o registrado em todas as outras regiões que compõem a região metropolitana.
Em junho do ano passado foram 69 tiroteios, nove mortos e 12 feridos. Neste ano, a Zona Oeste teve seis vezes mais mortes do que o registrado em junho de 2022.
Carlos Nhanga, Coordenador Regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio de Janeiro, cita o Mapa Histórico dos Grupos Armados para compreender essa alta na violência armada.
“Hoje o que estamos vendo é o acirramento das disputas entre facções e milícias por regiões estratégicas que têm forte acesso a outras favelas da cidade. Não é por acaso que temos mais vítimas na Zona Oeste quando comparamos com o mesmo mês do ano passado. A movimentação dos grupos armados é chave para entendermos esses números e também para o planejamento de políticas públicas que impeçam o crescimento dessas disputas e o aumento da insegurança na vida da população”, diz o coordenador.
Dados recentes
Entre os dias 20 e 24 de junho, três pessoas foram mortas a tiros na favela do Terreirão, localizada no Recreio dos Bandeirantes. As mortes teriam sido motivadas por disputas entre milicianos e traficantes da região.
Em toda a base histórica do Instituto Fogo Cruzado, houve somente 10 tiroteios/disparos de arma de fogo na região do Terreirão, resultando em 14 baleados. Quase um terço dos disparos mapeados foram registrados somente neste mês de junho.
No dia 29, Leandro Xavier da Silva, o Playboy da Curicica, foi morto durante uma operação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. Leandro era apontado como chefe de uma quadrilha que atua em Curicica, Terreirão, Rio das Pedras e Muzema, localizados na Zona Oeste do Rio.
Violência na Baixada Fluminense
Em junho, 15 tiroteios foram mapeados em Duque de Caxias, que ficou em segundo lugar entre os municípios mais afetados pela violência armada no mês. Dos 15 tiroteios, oito deles foram durante ações e operações policiais. Entre essas operações, quatro se deram no Corte 8, localizado no Complexo da Mangueirinha.
No dia 2 de junho, um tiroteio na região deixou dois policiais mortos. Entre as vítimas estava o sargento da Polícia Militar Felipe Moura Cardoso Soresini, de 38 anos, morto com três tiros nas costas, e o 3º sargento Roberto Rino de Souza, de 39 anos, morto ao ser baleado na cabeça.
Outros três homens deram entrada no hospital já mortos. Durante o tiroteio, que durou cerca de seis horas e se estendeu para outras localidades da região, um ônibus foi incendiado e a Avenida Governador Leonel de Moura Brizola ficou interditada nos dois sentidos.
O mês em dados
Durante o mês de junho, 291 tiroteios ocorreram na região metropolitana do Rio de Janeiro, segundo Relatório Mensal do Instituto Fogo Cruzado. Os números indicam uma queda de 13% em comparação com o mesmo período de 2022, quando 336 tiroteios foram registrados pelo Instituto.
Entre os 291 tiroteios mapeados, 32% (92) deles ocorreram durante ações e operações policiais. Em junho do ano passado, dos 336 tiroteios mapeados, 27% (92) deles se deram em ações e operações policiais.
Ao todo, 160 pessoas foram baleadas na região metropolitana do Rio ao longo do mês de junho: 94 delas morreram e 66 ficaram feridas. Houve um aumento de 45% entre os mortos e aumento de 3% entre os feridos em comparação com junho de 2022, que acumulou 129 pessoas baleadas, sendo 65 delas mortas e 64 feridas.
Entre os 160 baleados no mês, 85 deles (53%) foram atingidos durante ações e operações policiais: 43 morreram e 42 ficaram feridos. Das 129 pessoas baleadas em junho do ano passado, 74 delas (57%) foram atingidas em ações e operações policiais: 29 morreram e 45 ficaram feridas.
Em junho, houve queda de 6% entre os tiroteios, de 9% entre os mortos e 18% entre os feridos em comparação com o mês de maio, que acumulou 309 tiroteios, e 183 baleados, sendo 103 mortos e 80 feridos.
Entre as datas impactadas pela violência armada, com 18 registros, o dia 9 concentrou o maior número de tiroteios; O dia 2, com oito vítimas, concentrou o maior número de mortos; e o dia 24, com oito vítimas, acumulou o maior número de feridos.
O mapa da violência armada
Municípios
Entre os municípios mais impactados pela violência armada no mês de junho estão:
- Rio de Janeiro: 208 tiroteios, 63 mortos e 35 feridos
- Duque de Caxias: 15 tiroteios, 7 mortos e 5 feridos
- Belford Roxo: 11 tiroteios, 6 mortos e 2 feridos
- São Gonçalo: 11 tiroteios, 2 mortos e 7 feridos
- Nova Iguaçu: 11 tiroteios, 1 mortos e 4 feridos
Bairros
Entre os bairros da região metropolitana do Rio, os mais afetados pela violência armada foram:
- Cidade de Deus (Rio de Janeiro): 14 tiroteios e 1 morto
- Campinho (Rio de Janeiro): 12 tiroteios
- Realengo (Rio de Janeiro): 10 tiroteios, 3 mortos e 1 ferido
- Centenário (Duque de Caxias): 8 tiroteios, 5 mortos e 2 feridos
- Bangu (Rio de Janeiro): 8 tiroteios,2 mortos e 2 feridos
- Vicente de Carvalho (Rio de Janeiro): 8 tiroteios, 1 morto e 1 ferido
Regiões
Seis regiões contemplam a região metropolitana do Rio de Janeiro. A distribuição da violência armada entre elas ficou da seguinte forma:
- Zona Norte (Capital): 111 tiroteios, 22 mortos e 17 feridos
- Zona Oeste (Capital): 80 tiroteios, 36 mortos e 17 feridos
- Baixada Fluminense: 63 tiroteios, 27 mortos e 22 feridos
- Leste Metropolitano: 20 tiroteios, 4 mortos e 9 feridos
- Centro (Capital): 12 tiroteios e 5 mortos
- Zona Sul (Capital): 5 tiroteios e 1 ferido
Perfil da violência armada
- 11 pessoas baleadas durante roubos/tentativas de roubo: três morreram e oito ficaram feridas. Em junho de 2022, 21 pessoas foram baleadas durante roubos/tentativas de roubo: nove morreram e 12 ficaram feridas.
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Nove pessoas foram vítimas de balas perdidas no Grande Rio: duas morreram e sete ficaram feridas. Em junho de 2022, seis pessoas foram vítimas de balas perdidas: uma morreu e cinco ficaram feridas.
- Das nove vítimas de balas perdidas registradas no mês, três foram atingidas em ações e operações policiais (uma morreu e duas ficaram feridas). Em junho de 2022, das seis vítimas de balas perdidas, cinco foram atingidas em ações e operações policiais (uma morreu e quatro ficaram feridas).
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Nenhuma criança foi baleada na região metropolitana do Rio em junho. No mesmo período de 2022, uma criança foi baleada e sobreviveu.
- Três adolescentes foram baleados no Grande Rio: dois deles morreram e um ficou ferido. Em junho de 2022, dois adolescentes foram baleados e sobreviveram.
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Três idosos foram baleados em junho no Grande Rio: um morreu e dois ficaram feridos. Em junho de 2022, cinco idosos foram baleados: três deles morreram e dois ficaram feridos.
- Ao todo, 12 agentes de segurança foram baleados no Grande Rio: sete morreram (três em serviço, um fora de serviço/de folga, dois eram aposentados/exonerados e um não teve o status revelado) e cinco ficaram feridos (três em serviço e dois fora de serviço/de folga).
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Em junho de 2022, 11 agentes de segurança foram baleados: cinco morreram (um em serviço, três fora de serviço/de folga e um era aposentado/exonerado) e seis ficaram feridos (dois em serviço, três fora de serviço/de folga e um era aposentado/exonerado).
- Quatro chacinas ocorreram no Grande Rio em junho, deixando 14 mortos no total. Três dessas chacinas ocorreram durante ações e operações policiais, deixando nove mortos no total.
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Em junho de 2022, três chacinas ocorreram no Grande Rio deixando nove mortos no total. Duas delas se deram em ações e operações policiais, deixando seis mortos no total.
SOBRE O INSTITUTO FOGO CRUZADO
O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.
Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz 40 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife e de Salvador.
Através de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios que produzimos mensalmente.
*Com dados do Instituto Fogo Cruzado e edição da Agência Fonte Exclusiva. Compartilhe esta reportagem do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












