Cerca de 85,4% das viagens no ano de 2022 tiveram finalidade pessoal, enquanto 14,6% foram profissionais. Os principais motivos pessoais de viagem são lazer (35,7%), visitas a parentes ou amigos (32,5%) e tratamento de saúde (19,6%).
Essa última categoria inclui os trajetos feitos para consultas médicas, internações ou cirurgias e atendimento psicológico. Os dados estão na Pesquisa PNAD Contínua Turismo 2021-2022 divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (6).
O lazer foi predominante como motivo de viagem entre os domicílios com rendimento domiciliar per capita igual ou superior a um salário mínimo. Nos lares com renda per capita de quatro ou mais salários mínimos, mais da metade (57,5%) dessas viagens pessoais foi feita por lazer.
Mas, entre as classes de rendimento abaixo de meio salário mínimo, a prioridade é outra: 35,1% das viagens se destinaram a tratamento de saúde. A visita a parentes ou amigos aparece em segundo lugar para esse grupo, com 31,4%, e apenas 14,3% delas foram feitas por lazer.
“A visita a parentes ou amigos continua bastante expressiva em todas as classes de rendimento, enquanto o lazer aparece mais nas classes de rendimentos mais elevados. Já o tratamento de saúde, que é bem significativo entre os motivos de viagens das classes com menores rendimentos, pode ser explicado pela necessidade de deslocamento de pessoas que moram em cidades pequenas, que muitas vezes não têm estrutura para realização de cirurgias, intervenções e outros tipos de tratamento”, destaca a analista da pesquisa Flávia Vinhaes.
“As classes com maiores rendimentos, por sua vez, estão concentradas em grandes centros urbanos, que costumam ter uma estrutura relacionada à saúde mais diversificada”, explica a analista.
O tratamento de saúde representa a motivação de apenas 4,4% das viagens pessoais entre os domicílios com rendimento de quatro ou mais salários mínimos.
Enquanto, em 2020, mais da metade (55,6%) das viagens motivadas por lazer foram em busca de destino de sol e praia, no segundo ano da pandemia, esse número caiu para 48,7%.
Nos domicílios com renda per capita abaixo de meio salário mínimo, 35,1% das viagens pessoais foram para tratamento de saúde e apenas 14,3% para lazer. Já nos domicílios com renda per capita de quatro ou mais salários mínimos, 57,5% das viagens foram para lazer e apenas 4,4% para tratamento de saúde.
No tópico Outras, 25,6% buscaram natureza, ecoturismo ou aventura, percentual superior ao registrado no ano anterior (20,5%).
“Isso também pode ter sido influenciado pelas questões sanitárias da pandemia. Muita gente pode ter buscado alternativas de lazer com menos aglomeração, como trilhas e cachoeiras, em vez de viajar para praias, onde há maior concentração de pessoas”, afirma Flávia.
A viagem por cultura e gastronomia, com acesso a patrimônio histórico e cultural, aparece em terceiro lugar, com 16,0%.
Entenda a pesquisa PNAD Contínua Turismo
A pesquisa PNAD Turismo quantifica os fluxos de turistas nacionais entre as diferentes regiões do país e para o exterior. Os dados são referentes aos anos de 2020 e 2021.
Os pesquisadores apuraram gastos e características das viagens realizadas, associados a outras variáveis, incluindo o rendimento domiciliar per capita.
De acordo com o IBGE, o tema Turismo vem sendo investigado na PNAD Contínua desde 2019, por meio de um convênio entre o IBGE e o Ministério do Turismo.











