O mercado internacional de açúcar enfrenta novas incertezas diante dos riscos climáticos que podem afetar a produção nos principais países exportadores. A possibilidade de um fenômeno conhecido como “Super El Niño”, somada às chuvas intensas registradas em áreas agrícolas, aumentou a preocupação com a oferta mundial da commodity e trouxe pressão sobre as cotações futuras.
Nos dias 5 e 6 de outubro, os contratos futuros de açúcar bruto negociados na Bolsa Intercontinental (ICE) ultrapassaram US$ 0,20 por libra-peso. As cotações chegaram a oscilar entre 20,6 e 20,8 centavos de dólar, atingindo o maior nível em 19 meses.
A movimentação reflete o receio de que condições meteorológicas desfavoráveis prejudiquem a produção e dificultem o transporte do açúcar. Com a possibilidade de redução da oferta, investidores e agentes do setor acompanham de perto as previsões climáticas e as estimativas de colheita para os próximos meses.
Chuvas intensas afetam produção brasileira
No Brasil, principal produtor de açúcar da América Latina, as chuvas registradas em setembro na região Centro-Sul provocaram dificuldades nas operações dos canaviais. Alagamentos e problemas logísticos prejudicaram a moagem da cana-de-açúcar e provocaram atrasos nos embarques.
Estimativas de analistas indicam que a produção brasileira de açúcar caiu mais de 40% na primeira quinzena de setembro em comparação com o período anterior.
A consultoria Green Pool também apontou riscos de uma produção inferior às projeções iniciais. A expectativa de novas precipitações durante outubro aumenta a preocupação com o ritmo da colheita e com a quantidade de açúcar que poderá ser extraída da cana.
O comportamento do clima nas próximas semanas será determinante para avaliar a extensão dos prejuízos e os possíveis reflexos sobre a disponibilidade do produto no mercado internacional.
Índia e Tailândia também preocupam o mercado
As incertezas sobre a oferta mundial não estão restritas ao Brasil. Índia e Tailândia, dois importantes produtores globais, também enfrentam dúvidas sobre o desempenho da safra 2026-2027.
Na Índia, os analistas acompanham as condições dos canaviais de Maharashtra, região relevante para a produção nacional. Na Tailândia, a preocupação está relacionada à possibilidade de uma colheita abaixo das expectativas caso os períodos de seca se intensifiquem.
As irregularidades nas chuvas e as incertezas sobre a disponibilidade de água dificultam as projeções de produtividade. Se houver perdas significativas nesses países, a oferta internacional poderá sofrer uma redução adicional, aumentando a pressão sobre os preços.
Índice de preços do açúcar acumula três meses de alta
A valorização da commodity ocorre em um contexto de aumento dos preços internacionais dos alimentos. Dados divulgados em 2 de outubro pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apontaram alta de 1,5% no índice mundial de preços dos alimentos em setembro, que ficou 5,8% acima do registrado no mesmo mês do ano anterior.
O indicador específico do açúcar avançou 6,1% em setembro, acumulando três meses consecutivos de alta. Na comparação anual, o índice ficou 14,7% maior e alcançou seu nível mais elevado desde abril de 2025.
Segundo as informações divulgadas, a tendência está relacionada às perspectivas de menor disponibilidade do produto durante a temporada atual.
Clima será decisivo para as cotações em 2027
As previsões de chuva acima da média em importantes regiões produtoras brasileiras podem dificultar a continuidade da colheita durante outubro. Caso as precipitações persistam, as interrupções nas operações agrícolas poderão reduzir o tempo disponível para o processamento da cana e comprometer o volume final produzido.
Ao mesmo tempo, eventuais perdas nas safras da Índia e da Tailândia podem ampliar as dificuldades de abastecimento e alterar o equilíbrio entre oferta e demanda.
Apesar dos riscos de novas altas, o comportamento dos preços dependerá da evolução das condições climáticas, dos resultados efetivos das colheitas e das estimativas de produção dos principais exportadores. Por isso, o mercado deve continuar acompanhando os dados agrícolas e meteorológicos para avaliar os possíveis efeitos sobre as cotações ao longo de 2027.
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