A conta de luz dos brasileiros pode ficar mais pesada nos próximos meses, mesmo sem aumento da tarifa. O motivo é simples: temperaturas mais elevadas tendem a aumentar o uso de aparelhos de ar-condicionado, ventiladores e outros equipamentos de climatização, elevando o consumo de energia das residências.
Em agosto, o consumo residencial médio chegou a 181,8 kWh por mês, maior nível da série histórica iniciada em 2004. No mesmo mês, o consumo das residências cresceu 6,9% em relação a agosto de 2025, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O consumo comercial avançou 9,4%, enquanto o industrial teve alta de 0,2%.
Para outubro, porém, há um alívio: a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabeleceu bandeira tarifária verde, o que significa que não haverá cobrança adicional relacionada às condições de geração de energia. A decisão foi possível após melhora das condições dos reservatórios e redução da necessidade de fontes mais caras, como as termelétricas.
Isso não significa, no entanto, que a fatura permanecerá necessariamente menor. A bandeira verde elimina o acréscimo tarifário, mas a conta continua dependendo da quantidade de energia consumida. Assim, uma residência que passe a utilizar ar-condicionado por mais horas poderá pagar mais simplesmente porque consumiu mais quilowatts-hora.
El Niño aumenta atenção para os próximos meses
O cenário ganha importância diante das projeções climáticas. Boletim elaborado pelo Inmet, Inpe e outros cinco órgãos federais aponta 95% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte no trimestre entre outubro e dezembro. Para o Brasil, os efeitos variam conforme a região e podem incluir temperaturas mais altas e mudanças no regime de chuvas.
A Organização Meteorológica Mundial também projeta intensificação do fenômeno. Os modelos indicam que a anomalia média da temperatura da superfície do Pacífico na região Niño 3.4 poderá chegar a aproximadamente +3,7°C entre outubro e dezembro, com pico próximo ao fim do ano. O número é uma previsão climática, e não uma temperatura já observada.
Para famílias atendidas pela Tarifa Social de Energia Elétrica, o aumento do consumo merece atenção adicional. A legislação garante desconto de 100% sobre a tarifa de energia para os primeiros 80 kWh mensais das famílias que se enquadram nas regras do benefício. O consumo que ultrapassar esse limite não recebe o mesmo desconto. Assim, maior necessidade de climatização pode representar impacto maior no orçamento dessas famílias.
Portanto, não há previsão de que o calor, por si só, provoque aumento imediato da tarifa de energia. O efeito mais direto para o consumidor é outro: quanto maior o uso de equipamentos para enfrentar temperaturas elevadas, maior tende a ser o consumo — e, consequentemente, o valor final da conta.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.











