A disputa entre FIFA e UEFA ganhou um novo capítulo fora dos campos. A entidade máxima do futebol mundial acusou a confederação europeia de divulgar informações consideradas distorcidas sobre um projeto comercial que previa a transferência de direitos relacionados à Copa do Mundo para uma nova empresa.
O embate chegou à Justiça dos Estados Unidos. Em uma manifestação apresentada ao tribunal, a FIFA pediu que seja rejeitada uma solicitação da UEFA para ter acesso a documentos e depoimentos ligados ao caso.
A confederação europeia pretende utilizar esse material em uma eventual iniciativa judicial na Suíça envolvendo o presidente da FIFA, Gianni Infantino.
Projeto comercial está no centro da disputa
A controvérsia envolve o chamado FIFA Forward Enterprise, ou FFE, projeto criado para estruturar uma nova operação comercial vinculada a direitos administrados pela FIFA.
A UEFA questiona a maneira como a proposta teria sido elaborada e sustenta que faltaram transparência e participação adequada das instâncias responsáveis pela governança da entidade.
A FIFA rejeita essa interpretação.
Segundo a organização, qualquer implementação do projeto teria de passar pelos órgãos internos competentes e pela aprovação das associações que integram a estrutura da entidade.
Para a FIFA, portanto, não procede a acusação de que a iniciativa teria avançado de forma secreta ou sem mecanismos formais de controle.
Valores também geram divergência
Outro ponto de conflito está na avaliação financeira da possível operação.
A UEFA estimou que o projeto FFE teria um valor próximo de US$ 20 bilhões.
A FIFA contesta esse cálculo e sustenta que a avaliação não considerou corretamente todas as características da estrutura prevista para a nova empresa.
Segundo a entidade, o valor poderia superar US$ 30 bilhões, dependendo da composição dos ativos e dos direitos comerciais envolvidos.
Projeto foi abandonado em julho
Apesar das discussões, o FIFA Forward Enterprise acabou não avançando.
O projeto foi abandonado em julho depois de enfrentar resistência dentro do próprio futebol internacional, incluindo questionamentos de diferentes confederações.
Após o recuo, Gianni Infantino sugeriu uma revisão independente dos mecanismos utilizados pela FIFA em seus processos de tomada de decisão.
A proposta surgiu em meio às críticas relacionadas à transparência, à governança e à maneira como grandes projetos comerciais são analisados dentro da entidade.
Disputa acontece em momento eleitoral
O confronto também ocorre em um período importante para a política interna da FIFA.
Infantino busca permanecer na presidência da organização em uma eleição prevista para março.
A FIFA argumenta que as iniciativas da UEFA e as acusações relacionadas ao FFE fazem parte de uma ofensiva que pode interferir no ambiente político que antecede a escolha do próximo presidente.
A UEFA, por sua vez, sustenta que seus questionamentos estão ligados à necessidade de esclarecer como o projeto foi elaborado e quais procedimentos internos foram adotados.
Embate vai além dos direitos comerciais
A discussão, portanto, não está limitada aos valores envolvidos no projeto.
O caso reúne disputas sobre governança, transparência, distribuição de poder e influência dentro do futebol internacional.
Com a questão agora levada aos tribunais norte-americanos, o confronto entre FIFA e UEFA tende a permanecer no centro das atenções enquanto a entidade mundial se aproxima de uma nova eleição presidencial.
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