Uma rede suspeita de movimentar milhões de reais com o fornecimento de drogas para uma facção criminosa no Rio de Janeiro é alvo da Operação Icarus, deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira (22 de setembro).
A investigação identificou uma estrutura organizada para negociar, transportar e distribuir grandes carregamentos de cocaína e maconha, utilizando empresas de transporte e logística para facilitar as operações.
A ofensiva acontece simultaneamente no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas, com cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão.
Até as 6h30, seis pessoas haviam sido presas, incluindo um homem apontado pelos investigadores como o principal responsável pela articulação do esquema.
A apuração também revelou movimentações financeiras que chegaram a R$ 70 milhões em um curto período, levantando suspeitas sobre a utilização de empresas e terceiros para ocultar a origem dos recursos.
Principal articulador do esquema está entre os presos
Segundo a Polícia Civil, o homem identificado como responsável pela organização central do grupo exercia diferentes funções no abastecimento dos pontos de venda de drogas.
Ele seria encarregado de negociar os carregamentos, definir os deslocamentos, organizar pagamentos e administrar valores provenientes da comercialização dos entorpecentes.
A investigação aponta que a estrutura possuía uma divisão de tarefas, com pessoas responsáveis pelo transporte, pela logística, pela cobrança de dívidas e pelo recolhimento do dinheiro.
Também foram identificados suspeitos de atuar como intermediários para dificultar o rastreamento das operações financeiras e a identificação dos verdadeiros responsáveis pelo esquema.
Essa organização permitiria manter o fornecimento de drogas entre diferentes estados, garantindo a chegada dos carregamentos aos pontos de revenda vinculados à facção no território fluminense.
Apreensões de quase 800 quilos de drogas ajudaram na investigação
Duas ocorrências registradas em 2024 foram importantes para que a Polícia Civil avançasse na identificação da rede investigada.
Uma delas aconteceu em Guarulhos, na Grande São Paulo, onde foram apreendidos 715 quilos de cocaína e maconha.
A outra ocorreu em Seropédica, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, com a apreensão de 73,8 quilos de cocaína.
Os dois episódios passaram a integrar o trabalho de investigação sobre a origem dos entorpecentes, as rotas de transporte e os responsáveis pela distribuição.
A partir dessas informações, os policiais avançaram na identificação de suspeitos e das conexões entre os diferentes integrantes do grupo.
Empresas de transporte são investigadas por movimentações milionárias
Um dos principais focos da Operação Icarus é a possível utilização de empresas dos setores de transporte e logística para facilitar o deslocamento de drogas entre São Paulo e o Rio de Janeiro.
Segundo os investigadores, essas estruturas empresariais teriam sido usadas para dar aparência regular às operações e dificultar a identificação dos carregamentos ilícitos.
A Polícia Civil também encontrou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com as atividades declaradas por pessoas e empresas investigadas.
O volume de recursos movimentados chegou a R$ 70 milhões em um curto intervalo de tempo.
A suspeita é de que parte dessas transações tenha sido utilizada para ocultar ou dissimular valores relacionados ao tráfico de drogas.
A apuração busca esclarecer a participação de cada investigado, a origem do dinheiro e a relação entre as empresas identificadas e a rede de abastecimento da facção.
Operação mobiliza forças policiais de quatro estados
A ação reúne equipes das polícias civis do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas.
A atuação conjunta busca alcançar suspeitos que operavam fora do território fluminense, além de reunir documentos, equipamentos e outros materiais que possam contribuir para o aprofundamento das investigações.
No Rio de Janeiro, a operação também conta com o apoio das corregedorias da Polícia Militar e da Polícia Penal.
Os mandados são cumpridos em diferentes endereços relacionados aos investigados, com o objetivo de identificar outros possíveis participantes e esclarecer o funcionamento da estrutura criminosa.
Combate ao fornecimento de drogas busca atingir estrutura financeira do tráfico
A Operação Icarus faz parte das ações voltadas ao enfrentamento das redes responsáveis pelo abastecimento de organizações criminosas no Rio de Janeiro.
Para a Polícia Civil, combater a distribuição de grandes quantidades de entorpecentes permite atingir não apenas os pontos de venda, mas também os responsáveis pela logística e pela movimentação dos recursos obtidos com a atividade ilegal.
A investigação busca interromper as conexões utilizadas para transportar drogas entre estados e identificar os mecanismos empregados para ocultar o dinheiro.
Com seis prisões registradas nas primeiras horas desta terça-feira, a operação continua em andamento, com novas diligências para reunir provas e aprofundar a apuração sobre o esquema milionário.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.












