Documentos reunidos pela Polícia Federal no caso Master abriram uma nova frente sobre a rede de relações mantida por Daniel Vorcaro. Mensagens extraídas de aparelhos do ex-banqueiro e depoimentos anexados à investigação descrevem festas privadas em São Paulo e Angra dos Reis, com artistas conhecidos, convidados influentes e forte preocupação com a discrição dos participantes.
Um dos eventos que aparece nos registros ocorreu em outubro de 2023, em São Paulo. A festa de Halloween ocupou o Madame Satã, tradicional casa noturna da capital, e teve apresentações de nomes como Solomun, Swedish House Mafia e Vintage Culture. Conversas incluídas na investigação indicam uma lista muito maior de mulheres do que de homens e mostram discussões sobre quem deveria ser convidado.

O ex-ministro das Comunicações Fábio Faria aparece nas mensagens relacionadas à organização. Ele confirmou ter repassado convites a pessoas conhecidas, mas afirmou que sua participação se limitou a isso. A existência de nomes em conversas sobre a lista não comprova, por si só, que essas pessoas tenham comparecido ao evento.
Outro conjunto de informações se refere a encontros realizados em Angra dos Reis. Nesse caso, parte das afirmações vem do depoimento de Luís Felipe Woyceichosk, comandante de uma embarcação utilizada por Vorcaro.
Segundo o relato registrado pela PF, havia festas no barco com bebidas alcoólicas, drogas e mulheres contratadas para os eventos, além da presença de personalidades. O documento também menciona participação de uma funcionária da Prime You na logística dessas mulheres. Vorcaro foi sócio da empresa de compartilhamento e gestão de ativos de luxo até setembro de 2025. A própria Prime You informou anteriormente que adquiriu a participação do empresário naquele período.
É importante separar o que consta do depoimento do que já foi demonstrado pela investigação. O relato do comandante não significa que a PF tenha comprovado, até agora, quem participou dessas festas, quem teria usado drogas ou em quais circunstâncias isso teria ocorrido. Esses elementos integram o material sob apuração.
As festas aparecem em meio a um volume muito maior de informações coletadas pela Polícia Federal no caso Master, que investiga suspeitas de fraudes financeiras e outros crimes relacionados ao antigo banco. Daniel Vorcaro permanece preso preventivamente; a medida foi mantida pelo Supremo no âmbito da investigação.
Parte dos documentos relacionados ao caso passou a ser pública após decisões de levantamento de sigilo no STF. Em setembro, a própria Corte também abriu procedimentos para discutir a regularidade de etapas da investigação, deixando claro que as informações ainda precisam passar pelo devido processo legal, contraditório e análise judicial.
A defesa de Vorcaro tem criticado a divulgação de detalhes sobre os eventos privados, afirmando que parte do material produz julgamento moral e invasão da esfera pessoal do ex-banqueiro. Essa manifestação, porém, não altera o fato de que relatos e mensagens sobre as festas passaram a integrar os documentos da investigação.
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