Uma ação promocional realizada durante a 28ª Bienal do Livro de São Paulo passou a ser discutida nas redes sociais depois que participantes publicaram relatos sobre supostas abordagens de cunho sexual envolvendo um dos homens que circulavam pelo evento usando uma máscara inspirada no personagem Ghostface.
Os mascarados participaram de interações relacionadas ao universo do dark romance no estande da Editora Fruto Proibido. Após fotos e vídeos de um deles começarem a circular na internet, outras pessoas afirmaram reconhecer o homem e compartilharam relatos sobre supostos contatos anteriores.
A Bienal aconteceu entre sexta-feira (4) e domingo (6), em um pavilhão de exposições na zona sul da capital paulista. Durante os dias do evento, os participantes mascarados interagiram com visitantes, apareceram em gravações e incorporaram personagens ligados ao gênero literário.
Publicações reúnem relatos de participantes
A repercussão aumentou depois que imagens do homem foram compartilhadas nas redes sociais. Na sequência, diferentes usuários passaram a publicar relatos sobre situações que afirmam ter vivenciado durante ou antes da Bienal.
Uma participante contou que teria sido convidada pelo homem para participar da gravação de um vídeo. Segundo ela, durante a interação, o mascarado teria encostado seu corpo contra uma parede e conduzido a situação de forma sensual.


A mulher afirmou que, naquele momento, interpretou o episódio como parte da brincadeira proposta pela ação. Posteriormente, porém, teria tomado conhecimento de outros relatos que fizeram com que passasse a questionar o comportamento.
A publicação também cita a existência de um grupo no WhatsApp que, segundo o relato, seria formado por adolescentes que teriam mantido contato com a persona criada pelo homem.
Outra pessoa afirmou ter conhecido o mascarado no início de 2025, durante um clube de leitura voltado ao dark romance. Conforme o relato publicado, ele ajudava na divulgação do grupo e mantinha contato frequente com participantes.
Ainda segundo essa pessoa, algumas conversas teriam adquirido um tom de flerte. O relato também faz referência a supostos grupos privados e festas frequentadas por pessoas mais jovens, além de mencionar um grupo que seria composto por adolescentes e, segundo a autora da publicação, teria sido administrado pelo homem.
Relatos também questionam idade informada
As publicações que ganharam força após a Bienal também levantaram dúvidas sobre a idade atribuída ao homem.
De acordo com um dos relatos, ele teria informado idades diferentes em momentos distintos e atualmente afirmaria ter 30 anos.
As informações, no entanto, foram divulgadas por usuários nas redes sociais e não representam, por si só, comprovação das acusações ou das demais situações descritas nas publicações.
Até o momento, os relatos devem ser tratados como alegações feitas por participantes e usuários das redes, sem que isso signifique confirmação independente dos fatos narrados.
Dark romance ganhou espaço entre leitores
O dark romance é um segmento da literatura romântica voltado principalmente ao público adulto e conhecido por abordar relacionamentos intensos e temas considerados sensíveis.
As histórias podem envolver elementos como obsessão, violência, relações de poder, conflitos psicológicos e dilemas morais. Por serem conteúdos de ficção, essas situações fazem parte da narrativa das obras e não representam necessariamente comportamentos defendidos fora delas.
Nos últimos anos, o gênero ganhou grande visibilidade nas redes sociais, especialmente no TikTok e no Instagram. Leitores utilizam essas plataformas para compartilhar resenhas, indicações de livros e conteúdos relacionados aos personagens e às histórias.
A popularização do gênero também fez com que editoras e eventos passassem a investir em ações temáticas, incluindo caracterizações de personagens e interações com o público.
Editora nega envolvimento na contratação
A Editora Fruto Proibido afirmou que não contratou, convidou ou solicitou a presença dos homens mascarados em seu estande durante a Bienal.
Em posicionamento sobre o episódio, a empresa disse que inicialmente não sabia quem estava por trás das máscaras e que também desconhecia os fatos que posteriormente começaram a ser relatados nas redes sociais.
Segundo a editora, a presença dos mascarados ocorreu de forma espontânea. No primeiro momento, a situação teria sido interpretada pela equipe como uma interação descontraída com o público, e funcionários chegaram a tirar fotos e gravar vídeos com visitantes e participantes da ação.
A empresa afirmou ainda que passou a buscar informações sobre a identidade dos envolvidos somente depois que as imagens e os relatos ganharam repercussão.
A Editora Fruto Proibido também declarou que não compactua nem endossa qualquer comportamento inadequado que eventualmente tenha sido atribuído às pessoas por trás das máscaras. A empresa ressaltou que, no momento das interações registradas durante a Bienal, não tinha conhecimento das informações que posteriormente passaram a circular nas redes sociais.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio.











