O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) admitiu ter compartilhado nas redes sociais um documento falso atribuído à Polícia Federal que tratava de suas conversas com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O parlamentar afirma, no entanto, que não sabia que o material era falso no momento da publicação e que retirou o conteúdo pouco depois.
O documento começou a circular na quinta-feira (3) e simulava um relatório oficial da PF. O texto afirmava que as mensagens trocadas entre Nikolas e Vorcaro demonstravam apenas uma relação de natureza pessoal e profissional e que não existiriam elementos suficientes para justificar a abertura de uma investigação específica contra o deputado.
A Polícia Federal negou a autoria do arquivo na sexta-feira (4) e confirmou que o relatório era falso. A assessoria de Nikolas afirmou inicialmente que o deputado havia visto o conteúdo nas redes sociais e não sabia que se tratava de uma falsificação. Depois, o próprio parlamentar disse ao Metrópoles que havia repostado a publicação de outro perfil no X e posteriormente apagado o conteúdo.

A falsificação apresentava uma série de inconsistências. Uma delas estava na própria data: o documento aparecia como produzido em novembro de 2025, enquanto o relatório verdadeiro da Polícia Federal que trouxe as conversas a público é de agosto de 2026. Também foram identificadas divergências nas transcrições e na estrutura utilizada pela corporação.
Uma checagem realizada pelo UOL identificou ainda no arquivo uma marca associada ao gerador de conteúdo da OpenAI, além de erros de português e outras incompatibilidades com documentos oficiais da Polícia Federal. A corporação confirmou ao veículo que nunca produziu aquele relatório.
A circulação do documento ocorreu logo após a divulgação de mensagens e áudios extraídos do celular de Vorcaro. Em uma das conversas reveladas, Nikolas se refere ao empresário como “Dani” e manifesta interesse em manter maior proximidade. Em outro contato, pede ajuda para uma questão envolvendo a liberação de um ativo minerário relacionada a um advogado próximo a ele.
Nikolas confirmou que manteve contatos com Vorcaro, mas nega qualquer irregularidade. O deputado afirma que nunca recebeu dinheiro do empresário e sustenta que suas conversas tiveram motivos específicos, entre eles o pedido relacionado ao ativo minerário e questionamentos sobre o financiamento de uma viagem envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal.
O documento falso tentava justamente apresentar uma suposta conclusão oficial sobre esses diálogos. A PF, porém, não reconheceu o material e não afirmou, por meio dele, que Nikolas estaria isento de qualquer suspeita. Esse ponto é importante porque a falsificação circulava com aparência de documento oficial e atribuía à corporação uma análise que ela não produziu.
O episódio também teve repercussão política. Depois da confirmação de que o documento era falso, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), acompanhada de outras parlamentares, informou ter acionado a Justiça Eleitoral contra Nikolas pela divulgação do conteúdo. O pedido e as acusações feitas pelas parlamentares ainda dependem de análise judicial e não representam uma conclusão de que o deputado tenha cometido crime.
Até o momento, a versão apresentada por Nikolas é de que ele apenas republicou um conteúdo que já circulava nas redes e o removeu ao tomar conhecimento de que não era verdadeiro. A origem do falso documento não foi esclarecida nas informações divulgadas até agora.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











