Muito além dos livros de história, as trajetórias de mulheres quilombolas continuam sendo construídas no presente. É essa perspectiva que a exposição “Lideranças Quilombolas do Rio de Janeiro: História e Resistência” apresenta ao público no Museu da Justiça do Rio de Janeiro.
A mostra reúne fotografias, documentos, vídeos e instalações interativas para contar histórias de mulheres que participaram e ainda participam da organização e da resistência das comunidades quilombolas no estado. A proposta também é ampliar a visibilidade dessas lideranças e mostrar a diversidade existente entre os territórios.
Entre os nomes apresentados está Dandara dos Palmares, personagem associada à história do Quilombo dos Palmares. A exposição também destaca lideranças contemporâneas, como Dona Eva e Dona Uia, do Quilombo da Rasa, em Búzios, na Região dos Lagos.
Quilombos são comunidades que seguem vivas
Para a historiadora Lydia de Carvalho, responsável pela curadoria da exposição, uma das principais mensagens da mostra é justamente romper com a ideia de que os quilombos pertencem apenas ao passado.
Segundo ela, as comunidades quilombolas continuam se transformando e possuem diferentes formas de organização, experiências e identidades.
“As comunidades quilombolas são comunidades vivas, são dinâmicas e são muito plurais”, afirmou a curadora.
A partir das histórias apresentadas, a exposição busca aproximar os visitantes da realidade atual dessas comunidades e mostrar como a luta por direitos, território e reconhecimento continua fazendo parte de suas trajetórias.
Instalação transforma histórias em uma árvore
Uma das atrações que mais chamam atenção na mostra é uma instalação criada no formato de uma árvore. A estrutura reúne referências a mulheres quilombolas contemporâneas e apresenta suas histórias entre galhos e folhagens.
A escolha da árvore não é por acaso. A ideia é representar as raízes compartilhadas pelas comunidades e, ao mesmo tempo, mostrar que cada liderança possui uma trajetória própria.
A instalação reforça ainda a importância da atuação coletiva e do papel das mulheres na preservação das histórias e na construção do futuro das comunidades quilombolas.
Mapa mostra presença quilombola no estado
Outro recurso disponível para os visitantes é um mapa que apresenta as comunidades quilombolas oficialmente reconhecidas no estado do Rio de Janeiro.
A ferramenta ajuda a visualizar a distribuição desses territórios pelo estado e permite compreender melhor a dimensão da presença quilombola em diferentes regiões fluminenses.
Para Lydia de Carvalho, apresentar essas comunidades também é uma maneira de dar visibilidade às suas histórias e garantir que seus protagonistas sejam conhecidos por um público maior.
“É uma forma de dar voz, de trazer protagonismo para essas pessoas”, destacou.
Exposição recebe estudantes e visitantes
Desde a abertura, a mostra tem atraído visitantes de diferentes idades, incluindo grupos de estudantes. A proposta de combinar documentos históricos com recursos visuais e interativos busca tornar o conteúdo acessível para públicos diversos.
A curadora destaca que a identificação dos visitantes com as histórias apresentadas tem sido um dos aspectos positivos da exposição.
Até quando visitar?
A exposição “Lideranças Quilombolas do Rio de Janeiro: História e Resistência” fica em cartaz até 28 de agosto, no Museu da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, no Centro da capital.
A visitação é gratuita e a classificação indicativa é livre.
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