Durante um ato político realizado neste sábado (22), na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou propostas para a área de segurança pública caso conquiste um novo mandato.
O chefe do Executivo defendeu uma atuação concentrada na identificação e prisão de integrantes de organizações criminosas, com o objetivo de recuperar territórios controlados por facções e devolver aos moradores o direito de circular e utilizar normalmente esses espaços.
Na avaliação apresentada pelo presidente, o enfrentamento ao crime organizado não deve ter como principal resultado operações com elevado número de mortos.
Lula afirmou que a prioridade precisa ser a prisão dos criminosos e a retomada efetiva das comunidades, permitindo que locais como escolas, vilas e estabelecimentos comerciais voltem a funcionar sem a interferência de grupos criminosos.
A declaração foi feita em meio às discussões sobre os métodos utilizados no combate às facções no Rio de Janeiro. Durante o discurso, Lula mencionou a operação realizada em outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, que terminou com mais de 120 mortes.
O episódio permanece no centro do debate sobre segurança pública no estado, especialmente em relação à estratégia adotada pelas forças policiais para enfrentar organizações criminosas.
Para Lula, a prisão dos integrantes das facções deve ocupar papel central na política de segurança. A proposta apresentada pelo presidente está relacionada à ideia de enfraquecer a estrutura dessas organizações e, ao mesmo tempo, possibilitar que o Estado volte a exercer controle sobre áreas onde a população enfrenta a presença de grupos armados.
A estratégia também foi vinculada à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que tramita no Congresso Nacional.
O texto já passou pela Câmara dos Deputados e aguarda análise do Senado. Segundo Lula, uma eventual aprovação abriria espaço para mudanças na estrutura federal de segurança, incluindo a recriação do Ministério da Segurança Pública.
O presidente também afirmou que pretende ampliar a preparação e a capacidade de atuação da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. A intenção, segundo o discurso, seria fortalecer a participação da União no enfrentamento ao crime organizado e ampliar a integração das instituições responsáveis pela segurança.
Além das ações policiais, Lula apresentou a educação como parte da estratégia de prevenção à criminalidade. No mesmo evento, ele defendeu a implantação do ensino em tempo integral em todas as escolas públicas e a expansão dos institutos federais como medidas para ampliar as oportunidades oferecidas aos jovens.
Segundo a visão apresentada pelo presidente, políticas educacionais podem atuar antes que os jovens sejam atraídos pela criminalidade.
A ampliação da jornada escolar e da oferta de formação profissional, nesse sentido, seria uma forma de criar novas perspectivas para estudantes e reduzir, no longo prazo, a pressão sobre o sistema prisional.
Lula também afirmou que o investimento em educação pode contribuir para que jovens tenham melhores condições de ingressar no mercado de trabalho e construir projetos de vida distantes das organizações criminosas. A proposta combina, portanto, ações de repressão ao crime organizado com medidas sociais voltadas à prevenção.
Durante o ato eleitoral no Rio de Janeiro, o presidente ainda abordou temas relacionados à defesa nacional e à exploração brasileira de minerais críticos e terras raras.
As declarações ocorreram dentro da agenda de campanha e em um cenário marcado pelo debate sobre a segurança pública, o avanço das facções criminosas e a participação do governo federal no enfrentamento à violência.
A proposta apresentada por Lula reúne, assim, duas frentes principais: o fortalecimento das estruturas de segurança para combater e prender integrantes de organizações criminosas e a ampliação de políticas educacionais como instrumento de prevenção.
O presidente afirmou que, em um eventual novo mandato, pretende avançar nessas duas áreas para reduzir a influência das facções e ampliar a presença do Estado nos territórios afetados pela criminalidade.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











