A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (13) a Operação Arena para investigar um grupo empresarial suspeito de utilizar um esquema de lavagem de dinheiro relacionado à exploração de apostas esportivas e outros jogos de bets.
A ação é realizada em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF) e conta com a participação da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
As diligências ocorrem simultaneamente na Paraíba, Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Ao todo, estão sendo cumpridos 17 mandados de busca e apreensão contra pessoas físicas e empresas que fazem parte do alvo da investigação.
Além das buscas, as autoridades obtiveram autorização judicial para acessar os sigilos bancário e telemático dos investigados. Também foi determinado o sequestro de aproximadamente R$ 1,1 bilhão em bens e valores.
Investigação rastreia origem do dinheiro
De acordo com a Polícia Federal, o objetivo da operação é esclarecer como funcionava a estrutura empresarial investigada e identificar a origem dos recursos movimentados pelo grupo.
Os investigadores apuram a possibilidade de valores provenientes da exploração de apostas esportivas terem sido submetidos a operações destinadas a esconder ou dificultar a identificação de sua origem.
A investigação também busca verificar se os recursos teriam sido movimentados por meio de diferentes operações financeiras, inclusive com possíveis transferências para fora do país.
Com a quebra do sigilo bancário, os investigadores poderão analisar transferências, movimentações e outros registros financeiros relacionados aos suspeitos.
Já o acesso aos dados telemáticos poderá auxiliar na identificação de comunicações e possíveis conexões entre pessoas e empresas investigadas.
R$ 1,1 bilhão em bens e valores é alvo de sequestro
Uma das principais medidas determinadas no âmbito da Operação Arena é o sequestro de aproximadamente R$ 1,1 bilhão em bens e valores vinculados aos investigados.
A medida tem como finalidade preservar recursos e patrimônio que possam ter relação com as atividades investigadas e evitar eventual dissipação dos ativos durante o andamento da apuração.
Os materiais e documentos encontrados durante o cumprimento dos mandados também deverão ser analisados pelos investigadores para ajudar a reconstruir as operações financeiras e a estrutura do grupo.
Suspeitos podem responder por crimes
Segundo a Polícia Federal, entre os crimes investigados estão lavagem de dinheiro, evasão de divisas e delitos contra o Sistema Financeiro Nacional.
As suspeitas ainda estão sob investigação. A realização de buscas, a quebra de sigilos ou o sequestro de bens não representam, por si só, comprovação definitiva dos crimes ou condenação dos envolvidos.
A partir das provas obtidas durante a operação, a PF e o Ministério Público Federal poderão avaliar a eventual responsabilidade individual de pessoas e empresas relacionadas ao caso.
Secretaria de Apostas participa da operação
A participação da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda ocorre em razão da investigação envolver atividades relacionadas ao mercado de apostas.
O setor de bets passou por mudanças regulatórias no Brasil nos últimos anos, com a criação de regras específicas para empresas que atuam nesse segmento.
A atuação dos órgãos de fiscalização busca identificar eventuais irregularidades e verificar se operações envolvendo apostas estão sendo utilizadas para outras práticas criminosas.
Investigação deve avançar após apreensões
Com o cumprimento dos 17 mandados de busca e apreensão, os investigadores deverão analisar documentos, equipamentos e outros materiais eventualmente recolhidos nos endereços dos alvos.
A expectativa é que a análise das informações bancárias e telemáticas permita identificar o caminho percorrido pelos recursos e esclarecer a relação entre as empresas e pessoas investigadas.
O sequestro de aproximadamente R$ 1,1 bilhão também representa uma das principais medidas patrimoniais adotadas na operação.
A Operação Arena deverá avançar conforme as autoridades cruzem os dados obtidos nas buscas com as informações financeiras já levantadas durante a investigação.
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