A presença das montadoras chinesas no mercado automotivo brasileiro ganhou ainda mais força em 2026. Nos primeiros sete meses do ano, veículos fabricados na China responderam por 52,4% dos carros importados pelo Brasil, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Na comparação com o mesmo período de 2025, as compras de veículos de origem chinesa aumentaram 105,4%. O resultado confirma uma mudança significativa no perfil das importações brasileiras e consolida a China como um dos principais fornecedores de automóveis para o país.
O avanço já vinha sendo registrado no primeiro semestre. Entre janeiro e junho, 280,6 mil veículos importados foram emplacados no Brasil, sendo aproximadamente metade proveniente da China. Naquele período, os modelos chineses somaram cerca de 140 mil unidades, praticamente o dobro do registrado um ano antes.
Eletrificados impulsionam mercado
Parte importante dessa expansão está relacionada ao crescimento dos veículos eletrificados. As vendas dessa categoria, que inclui diferentes tecnologias de propulsão elétrica e híbrida, avançaram 120,8% no acumulado de 2026.
A rápida expansão dos eletrificados tem alterado a composição do mercado brasileiro, principalmente com a chegada de novos modelos e marcas asiáticas.
No primeiro semestre, a Anfavea já havia destacado a força desse segmento. Dos veículos adicionais vendidos em relação ao ano anterior, cerca de 130 mil foram eletrificados, sendo aproximadamente 70 mil produzidos no Brasil e 60 mil importados. Em junho, os eletrificados chegaram a representar 20,9% das vendas de veículos leves no país, segundo a entidade.
O cenário mostra que a eletrificação deixou de ocupar apenas um nicho do mercado e passou a ter participação relevante nos emplacamentos.
Produção brasileira também cresce
Apesar do forte avanço das importações, a produção nacional manteve trajetória positiva. Nos primeiros sete meses de 2026, a fabricação de veículos no Brasil registrou crescimento de 8,3% na comparação com igual período do ano anterior.
O desempenho prolonga o movimento observado durante o primeiro semestre, quando as montadoras instaladas no país produziram 1,372 milhão de veículos, alta de 8,8% em relação aos seis primeiros meses de 2025.
O crescimento da produção ocorre em um momento de transformação da própria indústria nacional. Fabricantes tradicionais e novas montadoras vêm ampliando projetos relacionados a veículos híbridos e elétricos, enquanto grupos chineses também avançam na instalação de estruturas produtivas no Brasil.
A BYD, por exemplo, iniciou a produção de veículos em Camaçari, na Bahia, reforçando a estratégia das montadoras chinesas de combinar importações com fabricação local. A própria Anfavea já havia apontado, no início deste ano, que a nacionalização da produção de eletrificados poderia modificar o fluxo de importações ao longo de 2026.
Exportações brasileiras recuam
A situação é diferente no comércio externo. Enquanto a produção brasileira aumentou, as exportações de veículos acumularam queda de 20,8% nos primeiros sete meses do ano.
A retração já era observada no primeiro semestre. Até junho, o Brasil havia exportado 216,6 mil veículos, queda de 21,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025. A Argentina, historicamente um dos principais destinos dos veículos brasileiros, foi uma das responsáveis pela redução dos embarques.
Segundo a Anfavea, além da desaceleração de alguns mercados consumidores, os veículos brasileiros enfrentam maior concorrência de modelos chineses e mexicanos em países tradicionalmente atendidos pelas fábricas instaladas no Brasil.
A transformação ocorreu de maneira acelerada. Em 2025, a China havia respondido por 37,6% dos 498 mil veículos importados emplacados no Brasil. Pela primeira vez, os países de fora do Mercosul e do México passaram a representar mais da metade das importações do setor.
Agora, com participação de 52,4% entre janeiro e julho de 2026, os veículos chineses ultrapassam a metade dos importados comercializados no país.
O movimento evidencia uma mudança estrutural no setor automotivo brasileiro. Além do crescimento das marcas chinesas, a expansão dos eletrificados aumenta a concorrência e pressiona fabricantes instalados no país a acelerar investimentos em novas tecnologias.
Ao mesmo tempo, os números mostram um cenário de contrastes: enquanto o mercado interno e a produção avançam, as importações chinesas crescem em ritmo ainda mais forte e as exportações brasileiras enfrentam retração.
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