A startup chinesa DeepSeek está planejando uma forte expansão de sua infraestrutura de computação para inteligência artificial. A empresa pretende instalar um grande centro de dados em Ulanqab, na Mongólia Interior, a cerca de 350 quilômetros a noroeste de Pequim. As informações foram divulgadas pela Bloomberg nesta quinta-feira (30), com base em pessoas familiarizadas com o projeto.
O empreendimento foi planejado para aumentar os recursos disponíveis ao treinamento e à execução dos modelos de inteligência artificial da companhia. Para isso, a DeepSeek pretende combinar estruturas próprias com capacidade computacional obtida por meio de contratos com outras empresas.
A expectativa é que a infraestrutura alcance aproximadamente 1 gigawatt de potência computacional. Uma parcela da capacidade deverá entrar em operação entre o final de 2027 e o início de 2028.
Clima de Ulanqab pode facilitar resfriamento
A escolha de Ulanqab também estaria relacionada às características climáticas do município. A região registra temperatura média anual próxima de 4°C, condição que pode favorecer o controle térmico dos equipamentos instalados nos centros de dados.
Servidores utilizados em sistemas de inteligência artificial exigem grande quantidade de energia tanto para realizar cálculos quanto para manter os equipamentos em temperaturas adequadas. Em regiões frias, as condições ambientais podem contribuir para o processo de refrigeração, reduzindo a necessidade de sistemas artificiais e potencialmente diminuindo o consumo energético destinado ao resfriamento.
Se o projeto for concluído conforme o planejamento divulgado, a estrutura de 1 gigawatt poderá se tornar uma das maiores infraestruturas de computação voltadas à inteligência artificial já anunciadas por uma companhia chinesa.
DeepSeek busca ampliar presença no setor de IA
O investimento ocorre enquanto a DeepSeek tenta fortalecer sua posição na disputa internacional pelo desenvolvimento de inteligência artificial. Com sede em Hangzhou e liderada por Liang Wenfeng, a startup ganhou projeção ao apresentar modelos que combinam custos considerados competitivos com uma estratégia baseada na disponibilização de código aberto.
A ascensão da empresa colocou a companhia chinesa em disputa direta com grandes empresas globais que destinam bilhões de dólares à construção de modelos avançados e à expansão de infraestrutura computacional.
A nova instalação deverá ampliar a capacidade disponível para o treinamento de sistemas mais sofisticados e ajudar a DeepSeek a responder ao crescimento da demanda por suas ferramentas de inteligência artificial.
Startup também amplia investimentos
Além do investimento em infraestrutura, a empresa estaria avançando em uma nova etapa de expansão financeira. De acordo com as informações divulgadas, a DeepSeek teria concluído recentemente uma rodada de financiamento de aproximadamente US$ 7 bilhões, considerada recorde para a companhia.
A startup também teria alcançado uma avaliação estimada em cerca de US$ 50 bilhões e estaria avaliando os preparativos para uma possível oferta pública inicial de ações.
O movimento combina expansão de capacidade computacional, captação de recursos e eventual abertura de capital em um mercado cada vez mais disputado por acesso a chips avançados, energia e estruturas capazes de processar grandes volumes de dados.
Caso o cronograma seja mantido, parte da nova infraestrutura de Ulanqab deverá começar a operar entre o fim de 2027 e o início de 2028. A expansão poderá aumentar de maneira significativa os recursos disponíveis para os projetos de inteligência artificial da DeepSeek.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












