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Anac define como será avaliado o ruído do “carro voador” da Eve

Proposta estabelece testes em diferentes fases do voo e abre caminho para a certificação ambiental do Eve 100 no Brasil.

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
19/07/2026 - 19:55
em Brasil
Anac recebe até 8 de agosto contribuições sobre os critérios de certificação de ruído do Eve 100, aeronave elétrica desenvolvida pela Eve.

Imagem: Reprodução/ Anac/Divulgação

Antes de transportar passageiros entre aeroportos, centros urbanos e destinos turísticos, o Eve 100 terá de demonstrar que seu funcionamento atende às exigências ambientais da aviação brasileira.

A Agência Nacional de Aviação Civil apresentou uma proposta com os procedimentos que deverão ser utilizados para medir e certificar o ruído produzido pela aeronave elétrica.

A Consulta Setorial nº 07/SAR/2026 permanecerá aberta até 8 de agosto. O processo é conduzido pela área de normas e inovação da Superintendência de Aeronavegabilidade da Anac e recebe contribuições de empresas, especialistas e demais interessados.

Depois dessa etapa, a agência analisará as manifestações encaminhadas e continuará a elaboração dos critérios definitivos. A publicação representa um avanço no processo regulatório, mas não autoriza o início imediato das operações comerciais.

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O Eve 100 ainda precisará concluir os ensaios, apresentar os resultados exigidos e comprovar o cumprimento dos requisitos de segurança, desempenho e proteção ambiental.

Desenvolvido pela Eve Air Mobility, empresa apoiada pela experiência industrial da Embraer, o modelo pertence à categoria dos eVTOLs — aeronaves elétricas capazes de decolar e pousar verticalmente.

A configuração combina asas fixas, rotores destinados à sustentação vertical e propulsores separados para o deslocamento horizontal. O projeto foi concebido para percorrer até 100 quilômetros e iniciar as operações com piloto a bordo.

Por não depender de pistas convencionais, a tecnologia poderá operar a partir de estruturas menores, conhecidas como vertiportos. Entre as aplicações estudadas estão conexões com aeroportos, deslocamentos urbanos e regionais, transporte turístico e missões especiais.

A redução do barulho é considerada decisiva para a viabilidade desses serviços. Como os voos poderão ocorrer próximos a áreas residenciais e comerciais, a aceitação das comunidades dependerá também da frequência, da intensidade e das características do som produzido.

A proposta da Anac estabelece que os ensaios de decolagem, sobrevoo e aproximação sejam acompanhados simultaneamente por três estações de medição.

Um microfone deverá ficar diretamente abaixo da trajetória da aeronave. Outros dois serão colocados nas laterais, cada um a 150 metros do eixo central do voo. A disposição permitirá observar como o ruído se propaga em diferentes direções.

Cada etapa de certificação deverá contar com pelo menos seis passagens válidas. Os resultados precisarão alcançar um nível de confiança estatística definido pela agência, impedindo que a avaliação seja baseada em uma única operação.

Durante o sobrevoo nivelado, o Eve 100 deverá passar a 150 metros do solo, com tolerância de nove metros. Na aproximação, o cruzamento sobre o ponto central de medição ocorrerá a cerca de 120 metros de altura, com tolerância de dez metros.

As condições meteorológicas também serão controladas para evitar distorções nos resultados.

Os testes não poderão ser realizados sob chuva ou qualquer outra forma de precipitação. A temperatura deverá permanecer entre -10 °C e 35 °C, enquanto a umidade relativa ficará entre 20% e 95%.

A velocidade máxima permitida para o vento será de 10 nós, equivalente a aproximadamente 19 quilômetros por hora. O componente de vento lateral não poderá ultrapassar cinco nós, ou cerca de nove quilômetros por hora.

A posição da aeronave, a velocidade, a potência dos motores, as rotações dos propulsores e as condições atmosféricas deverão ser registradas e associadas às medições acústicas.

Os dados posteriormente serão corrigidos para condições padronizadas de referência, permitindo a comparação entre os diferentes voos.

Além das etapas utilizadas diretamente na certificação, a proposta prevê medições complementares durante pousos, decolagens e operações em voo pairado.

No teste de pairado, a aeronave deverá permanecer estabilizada em diferentes posições e orientações. A intenção é observar como o ruído se distribui ao redor do veículo quando os rotores de sustentação estão em funcionamento.

Essas medições adicionais não determinarão, isoladamente, a aprovação ou reprovação do modelo. Os resultados servirão para ampliar o conhecimento sobre os possíveis efeitos das operações próximas a vertiportos e subsidiar futuras normas aplicáveis ao setor.

Os critérios de certificação utilizam o Nível Efetivo de Ruído Percebido, representado pela sigla EPNL e expresso em EPNdB.

A unidade não corresponde diretamente aos decibéis utilizados em medições ambientais comuns. O cálculo considera fatores como intensidade, duração, frequências e presença de tons específicos no som emitido pela aeronave.

Os limites propostos variam conforme o peso certificado do veículo. Os patamares mínimos previstos são de 89 EPNdB para decolagem, 88 EPNdB para sobrevoo e 90 EPNdB durante a aproximação.

O próprio documento ressalta que a definição desses limites para a certificação não significa, automaticamente, que determinado nível será considerado aceitável para qualquer aeroporto, vertiporto ou comunidade.

Uma referência técnica a 15 decibéis presente no documento pode provocar uma interpretação equivocada.

O número não representa o volume que será ouvido no solo quando o Eve 100 estiver voando a 150 metros. A expressão aparece em trechos que delimitam o intervalo da medição, considerando os momentos em que o ruído está até 15 dB abaixo do nível máximo percebido durante o ensaio.

Portanto, não é correto afirmar, com base nessa referência, que a aeronave produzirá apenas 15 decibéis ou terá um som equivalente a um sussurro.

O nível efetivamente alcançado pelo Eve 100 será conhecido depois dos testes oficiais, da correção dos dados e da análise dos resultados pela Anac.

A Eve afirma que o controle acústico foi considerado desde as primeiras fases do desenvolvimento. A arquitetura chamada de lift-plus-cruise separa os equipamentos utilizados para elevar a aeronave daqueles responsáveis pelo voo horizontal, com o objetivo de reduzir o ruído em comparação com helicópteros convencionais.

A empresa também realizou, em parceria com o centro aeroespacial neerlandês NLR, um estudo de percepção visual e sonora com mais de 100 participantes.

As avaliações utilizaram realidade virtual e simulações de áudio em Nova York, Orlando e São Francisco. O objetivo foi entender como moradores de ambientes urbanos e suburbanos percebem a presença e o som dos eVTOLs.

Para a companhia, a certificação acústica será importante não apenas para o cumprimento das normas, mas também para a aceitação pública da mobilidade aérea urbana.

O protótipo em escala real realizou seu primeiro voo em dezembro de 2025. Até maio de 2026, a campanha havia acumulado 59 operações bem-sucedidas e mais de duas horas de voo.

A etapa inicial avaliou o comportamento em voo pairado e em velocidades reduzidas, além dos sistemas de controle, propulsão, energia e aerodinâmica.

Segundo a Eve, os níveis de ruído observados nessa fase permaneceram dentro do esperado. O desempenho dos sistemas de propulsão e das baterias teria superado as previsões iniciais da empresa.

O próximo bloco envolve a transição entre a sustentação proporcionada pelos rotores e o voo apoiado pelas asas. Essa fase será necessária para validar a sincronização entre os diferentes sistemas de propulsão antes dos testes em velocidade de cruzeiro.

O avanço regulatório ocorreu no mesmo período em que a Eve anunciou uma carta de intenção com a Moov Airways AG para até 30 aeronaves.

O entendimento não representa uma compra definitiva. As empresas avaliarão possíveis operações em Cabo Verde e na Europa, com atenção para serviços turísticos, conexões entre aeroportos, portos e hotéis e deslocamentos regionais.

Os estudos incluem ligações envolvendo São Vicente, Santo Antão, Sal, Praia e Boa Vista. Também serão examinadas aplicações em transporte médico e inspeção de infraestrutura.

A Moov é uma plataforma de aviação constituída na Suíça e sediada em Lugano. Seu projeto comercial busca criar conexões entre mercados da Europa, da África e da América Latina.

A apresentação dos critérios de ruído não significa que o Eve 100 esteja liberado para transportar passageiros.

A aeronave ainda deverá concluir a campanha de desenvolvimento, realizar os ensaios formais acompanhados pela Anac e demonstrar conformidade com todas as exigências do processo de certificação.

Os resultados acústicos aprovados precisarão constar na documentação oficial do modelo. Eventuais mudanças realizadas posteriormente no projeto também poderão exigir uma nova avaliação de seus efeitos sobre o ruído.

Com o encerramento da consulta em 8 de agosto, a Anac avaliará as contribuições e seguirá na definição das regras finais.

Essa etapa ajudará a determinar como o Brasil controlará os impactos sonoros de uma tecnologia que pretende aproximar a aviação do cotidiano das cidades.

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Tags: #Anac#Aviação#AviacaoEletrica#CarroVoador#Embraer#Eve100#EveAirMobility#EVTOL#MobilidadeAerea#Sustentabilidade#TecnologiaInovação
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