A influenciadora digital Virginia Fonseca virou alvo de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, o MPDFT, por suposta publicidade irregular relacionada à casa de apostas Blaze. O processo foi protocolado no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios e pede indenização mínima de R$ 120 milhões por danos morais coletivos.
Segundo o Ministério Público, a influenciadora teria atuado como peça central na divulgação da plataforma, usando sua forte presença nas redes sociais para estimular seguidores a apostar. A acusação sustenta que as publicações teriam ultrapassado o limite da publicidade comum e poderiam induzir consumidores ao erro, especialmente ao associar apostas a ganhos fáceis ou oportunidades de renda.
Na ação, o MPDFT afirma que influenciadores digitais exercem forte poder de convencimento sobre o público. Para os promotores, quando uma personalidade com milhões de seguidores recomenda um produto ou serviço, essa indicação passa a funcionar como uma espécie de selo de confiança, capaz de influenciar diretamente o comportamento de consumo.
O pedido de R$ 120 milhões não significa condenação imediata. Trata-se de um valor mínimo solicitado pelo Ministério Público a título de dano moral coletivo. Caberá à Justiça analisar os argumentos da acusação, a defesa dos envolvidos e as provas apresentadas no processo antes de qualquer decisão definitiva.
Além da indenização, o MPDFT pediu tutela de urgência para que Virginia remova das redes sociais conteúdos publicitários de apostas que prometam lucros irreais, estimulem apostas em eventos esportivos específicos, utilizem publicidade disfarçada ou recorram a mecanismos considerados abusivos para atrair consumidores.
O caso ocorre em meio ao aumento da pressão de autoridades sobre a publicidade de bets no Brasil. Em junho, o MPDFT já havia cobrado contratos de publicidade firmados por Neymar e Virginia com a Blaze, dentro de apuração sobre supostas práticas abusivas envolvendo a plataforma, como retenção de valores, bloqueio de contas e uso de mensagens associadas a “renda extra”.
Virginia também já havia sido ouvida pela CPI das Bets no Senado. Durante o depoimento, a influenciadora negou receber percentual sobre perdas de apostadores e afirmou que sempre alertou seguidores sobre riscos de prejuízo em jogos.
O processo pode abrir um precedente importante sobre a responsabilidade de influenciadores digitais na divulgação de jogos e apostas on-line. A discussão central é até que ponto a publicidade feita por celebridades nas redes sociais pode ser responsabilizada quando há suspeita de promessa exagerada de lucro, omissão de riscos ou indução de consumidores vulneráveis.
Até decisão judicial, Virginia e a Blaze são alvo de acusação em ação civil pública, mas não há condenação definitiva no caso.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.












