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Governo pode adiar fim do subsídio da gasolina após alta do petróleo

Ministério da Fazenda avalia impacto das tensões no Oriente Médio antes de decidir sobre retirada parcial ou total do benefício.

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
09/07/2026 - 12:55
em Economia
Governo federal pode adiar o fim do subsídio da gasolina após nova alta do petróleo no mercado internacional. Fazenda também prepara MP para renegociar dívidas rurais.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

A retirada do subsídio federal concedido à gasolina deve ficar para a próxima semana. A decisão, que poderia ser anunciada ainda nos próximos dias, passou a ser reavaliada pelo Ministério da Fazenda diante da nova alta do petróleo no mercado internacional e do agravamento das tensões no Oriente Médio.

A posição foi apresentada nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante entrevista à Rádio Gaúcha. Segundo ele, o governo ainda pretende encerrar o benefício, de forma parcial ou total, mas a mudança dependerá do comportamento dos preços do petróleo nos próximos dias.

O subsídio à gasolina foi criado em maio como uma medida emergencial para conter os efeitos da alta dos combustíveis no Brasil. O benefício, de R$ 0,44 por litro, foi adotado em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que pressionou a cotação internacional do petróleo e elevou o risco de reajustes para o consumidor brasileiro.

Inicialmente, a equipe econômica trabalhava com a possibilidade de retirar o incentivo após dois meses de vigência. Com a redução temporária das hostilidades e a expectativa de estabilização do mercado, o governo começou a planejar a saída gradual das medidas de contenção.

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No início de julho, o Executivo já havia encerrado a subvenção concedida ao diesel. A expectativa era avançar agora sobre a gasolina, mas o novo movimento de alta do petróleo levou a Fazenda a adotar uma postura mais cautelosa.

O barril do petróleo tipo Brent voltou a se aproximar de US$ 80, patamar considerado sensível para a formação dos preços dos combustíveis. A valorização ocorreu após nova ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã, o que aumentou a preocupação do mercado com possíveis reflexos na oferta global da commodity.

O Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte internacional de petróleo, voltou ao centro das atenções. Qualquer risco de interrupção ou restrição no fluxo da região tende a elevar a volatilidade dos preços e afetar diretamente países importadores ou dependentes da cotação internacional para formação de preços internos.

No Brasil, a preocupação do governo é evitar que a retirada abrupta do subsídio provoque aumento imediato no preço da gasolina. A equipe econômica tenta equilibrar dois objetivos: reduzir o custo fiscal da medida e impedir que a alta internacional chegue com força às bombas.

Durigan afirmou que a intenção do governo é retirar o benefício assim que houver condições de mercado para isso. A decisão poderá envolver o fim total da subvenção ou uma redução gradual, a depender da evolução do cenário externo.

Além da gasolina, o governo também avalia ajustes na política de combustíveis. O ministro informou que a mistura obrigatória de etanol na gasolina deve passar de 30% para 32% nos próximos dias, medida que pode ajudar a reduzir a dependência da gasolina pura e ampliar a participação do biocombustível na composição final vendida aos consumidores.

A discussão ocorre em um momento delicado para a economia. A alta dos combustíveis tem impacto direto sobre a inflação, especialmente pelo peso do transporte no orçamento das famílias e nos custos de distribuição de mercadorias. Por isso, qualquer mudança na política de subsídios exige cálculo político, fiscal e econômico.

Enquanto monitora o mercado internacional de energia, o governo também trabalha na conclusão de uma medida provisória voltada à renegociação de dívidas rurais. O texto está em fase final de negociação e deve contemplar produtores afetados por eventos climáticos extremos e pela forte oscilação dos preços agrícolas.

A proposta em discussão poderá alcançar pouco mais de R$ 100 bilhões em operações de crédito rural. Segundo a Fazenda, o impacto anual para o Tesouro deve ficar entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões.

Pelas regras em debate, produtores que comprovarem prejuízos provocados por eventos climáticos poderão renegociar até R$ 8 milhões por CPF. Para os casos relacionados à variação de preços agrícolas, o limite previsto é de R$ 4 milhões.

O prazo de pagamento poderá chegar a dez anos nos casos de perdas climáticas, com possibilidade de dois anos de carência. As taxas de juros devem variar conforme o porte do produtor: 6% ao ano para pequenos agricultores, 9% para médios produtores e 12% para grandes produtores.

A medida provisória também deve tratar de garantias nas operações renegociadas. Uma das propostas é permitir que bancos aceitem garantias de contratos anteriores, inclusive de operações em atraso, além de aplicar critérios de proporcionalidade nas exigências feitas aos produtores.

O governo ainda estuda a criação de um fundo garantidor para o setor rural. A ideia é formar uma estrutura com participação do governo, de bancos e do setor privado, voltada a reduzir riscos nas operações e destravar a renegociação dos débitos.

As duas frentes mostram o esforço da equipe econômica para lidar com pressões simultâneas. De um lado, a volatilidade do petróleo ameaça os preços dos combustíveis e pode afetar diretamente o bolso dos consumidores. De outro, o endividamento rural exige uma resposta para evitar aumento da inadimplência no campo e preservar a capacidade de produção do agronegócio.

A decisão final sobre a gasolina, porém, dependerá dos próximos movimentos do mercado internacional. Se o petróleo continuar pressionado, o governo poderá manter parte do subsídio por mais tempo. Caso haja acomodação nos preços, a Fazenda deve avançar na retirada do benefício já na próxima semana.

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Tags: #Agro#Combustíveis#DarioDurigan#DividasRurais#Economia#Gasolina#GovernoFederal#MinistérioDaFazenda#OrienteMédio#Petróleo
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