A retirada do subsídio federal concedido à gasolina deve ficar para a próxima semana. A decisão, que poderia ser anunciada ainda nos próximos dias, passou a ser reavaliada pelo Ministério da Fazenda diante da nova alta do petróleo no mercado internacional e do agravamento das tensões no Oriente Médio.
A posição foi apresentada nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante entrevista à Rádio Gaúcha. Segundo ele, o governo ainda pretende encerrar o benefício, de forma parcial ou total, mas a mudança dependerá do comportamento dos preços do petróleo nos próximos dias.
O subsídio à gasolina foi criado em maio como uma medida emergencial para conter os efeitos da alta dos combustíveis no Brasil. O benefício, de R$ 0,44 por litro, foi adotado em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que pressionou a cotação internacional do petróleo e elevou o risco de reajustes para o consumidor brasileiro.
Inicialmente, a equipe econômica trabalhava com a possibilidade de retirar o incentivo após dois meses de vigência. Com a redução temporária das hostilidades e a expectativa de estabilização do mercado, o governo começou a planejar a saída gradual das medidas de contenção.
No início de julho, o Executivo já havia encerrado a subvenção concedida ao diesel. A expectativa era avançar agora sobre a gasolina, mas o novo movimento de alta do petróleo levou a Fazenda a adotar uma postura mais cautelosa.
O barril do petróleo tipo Brent voltou a se aproximar de US$ 80, patamar considerado sensível para a formação dos preços dos combustíveis. A valorização ocorreu após nova ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã, o que aumentou a preocupação do mercado com possíveis reflexos na oferta global da commodity.
O Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte internacional de petróleo, voltou ao centro das atenções. Qualquer risco de interrupção ou restrição no fluxo da região tende a elevar a volatilidade dos preços e afetar diretamente países importadores ou dependentes da cotação internacional para formação de preços internos.
No Brasil, a preocupação do governo é evitar que a retirada abrupta do subsídio provoque aumento imediato no preço da gasolina. A equipe econômica tenta equilibrar dois objetivos: reduzir o custo fiscal da medida e impedir que a alta internacional chegue com força às bombas.
Durigan afirmou que a intenção do governo é retirar o benefício assim que houver condições de mercado para isso. A decisão poderá envolver o fim total da subvenção ou uma redução gradual, a depender da evolução do cenário externo.
Além da gasolina, o governo também avalia ajustes na política de combustíveis. O ministro informou que a mistura obrigatória de etanol na gasolina deve passar de 30% para 32% nos próximos dias, medida que pode ajudar a reduzir a dependência da gasolina pura e ampliar a participação do biocombustível na composição final vendida aos consumidores.
A discussão ocorre em um momento delicado para a economia. A alta dos combustíveis tem impacto direto sobre a inflação, especialmente pelo peso do transporte no orçamento das famílias e nos custos de distribuição de mercadorias. Por isso, qualquer mudança na política de subsídios exige cálculo político, fiscal e econômico.
Enquanto monitora o mercado internacional de energia, o governo também trabalha na conclusão de uma medida provisória voltada à renegociação de dívidas rurais. O texto está em fase final de negociação e deve contemplar produtores afetados por eventos climáticos extremos e pela forte oscilação dos preços agrícolas.
A proposta em discussão poderá alcançar pouco mais de R$ 100 bilhões em operações de crédito rural. Segundo a Fazenda, o impacto anual para o Tesouro deve ficar entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões.
Pelas regras em debate, produtores que comprovarem prejuízos provocados por eventos climáticos poderão renegociar até R$ 8 milhões por CPF. Para os casos relacionados à variação de preços agrícolas, o limite previsto é de R$ 4 milhões.
O prazo de pagamento poderá chegar a dez anos nos casos de perdas climáticas, com possibilidade de dois anos de carência. As taxas de juros devem variar conforme o porte do produtor: 6% ao ano para pequenos agricultores, 9% para médios produtores e 12% para grandes produtores.
A medida provisória também deve tratar de garantias nas operações renegociadas. Uma das propostas é permitir que bancos aceitem garantias de contratos anteriores, inclusive de operações em atraso, além de aplicar critérios de proporcionalidade nas exigências feitas aos produtores.
O governo ainda estuda a criação de um fundo garantidor para o setor rural. A ideia é formar uma estrutura com participação do governo, de bancos e do setor privado, voltada a reduzir riscos nas operações e destravar a renegociação dos débitos.
As duas frentes mostram o esforço da equipe econômica para lidar com pressões simultâneas. De um lado, a volatilidade do petróleo ameaça os preços dos combustíveis e pode afetar diretamente o bolso dos consumidores. De outro, o endividamento rural exige uma resposta para evitar aumento da inadimplência no campo e preservar a capacidade de produção do agronegócio.
A decisão final sobre a gasolina, porém, dependerá dos próximos movimentos do mercado internacional. Se o petróleo continuar pressionado, o governo poderá manter parte do subsídio por mais tempo. Caso haja acomodação nos preços, a Fazenda deve avançar na retirada do benefício já na próxima semana.
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