Diário da Guanabara
  • Cidade
  • Colunistas
  • Mundo
  • Economia
  • Edições Online
  • Gente
  • Opinião
  • Política
  • D+NEWS
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Diário da Guanabara
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Home Saúde

Nova caneta contra obesidade mira gordura no fígado

Survodutida, ainda em fase experimental, chama atenção em estudos por reduzir gordura hepática e visceral, além de promover perda de peso.

Redação DGRJ Por Redação DGRJ
08/07/2026 - 20:03
em Saúde
Medicamento experimental contra obesidade, a survodutida apresentou redução expressiva da gordura no fígado em estudos clínicos e pode abrir nova fase no tratamento da doença.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

A corrida dos medicamentos injetáveis contra a obesidade começa a entrar em uma fase mais sofisticada. Após anos em que o principal indicador de sucesso foi a queda no peso corporal, uma nova molécula experimental passou a chamar atenção por atuar em um problema menos visível na balança, mas altamente relevante para a saúde: o excesso de gordura acumulado no fígado.

A survodutida, desenvolvida pela Boehringer Ingelheim, ganhou destaque durante o encontro anual da Associação Americana de Diabetes, realizado em Nova Orleans. Ainda em fase de pesquisa, o medicamento despertou interesse entre especialistas por combinar perda de peso com efeitos importantes sobre a gordura hepática, condição frequentemente relacionada à obesidade, ao diabetes tipo 2 e ao aumento do risco cardiovascular.

Nos últimos anos, remédios como semaglutida, tirzepatida e retatrutida mudaram o patamar do tratamento farmacológico da obesidade. Essas moléculas ampliaram as possibilidades terapêuticas e mostraram que reduções expressivas de peso podem ser alcançadas com acompanhamento médico. Agora, no entanto, a discussão começa a avançar para outra pergunta: além de emagrecer, que benefícios metabólicos esses medicamentos conseguem oferecer?

Para especialistas, essa mudança de foco foi um dos temas centrais do congresso. O endocrinologista Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, avalia que o debate deixou de girar apenas em torno do percentual de perda de peso. A atenção também passou a incluir desfechos como melhora da pressão arterial, redução de triglicerídeos, proteção cardiovascular, preservação da massa magra e impacto em órgãos prejudicados pelo acúmulo de gordura.

Leia Também

Hospital em Porto Alegre oferece teste sanguíneo para investigar Alzheimer. Exame custa cerca de R$ 3 mil e exige avaliação médica.

Novo exame de sangue amplia investigação do Alzheimer no Brasil; entenda como funciona

16/10/2026 - 11:36
Câncer de mama também atinge homens. Dados da SBRT apontam mais de 2 mil registros masculinos entre 2020 e 2023 e reforçam a importância do diagnóstico precoce.

Câncer de mama também atinge homens e pode ser descoberto tardiamente

13/10/2026 - 17:57

Os dados que mais chamaram atenção sobre a survodutida vieram de um estudo de fase 3, uma das etapas mais importantes antes de um eventual pedido de aprovação às agências reguladoras. A pesquisa acompanhou 216 adultos com obesidade e gordura acumulada no fígado. Entre os participantes tratados com a molécula, a redução média da gordura hepática ficou próxima de 60%.

O resultado foi considerado relevante porque 84% dos pacientes que receberam a medicação tiveram queda de pelo menos 30% na gordura do fígado. No grupo placebo, esse índice foi de 24%. Outro dado observado foi que cerca de seis em cada dez pessoas tratadas terminaram o estudo com níveis de gordura hepática dentro da faixa considerada normal. Também houve redução de marcadores ligados à inflamação e à lesão hepática, como a enzima ALT.

A gordura no fígado costuma aparecer em exames de rotina e, muitas vezes, é vista pela população como um achado sem grande gravidade. Médicos, porém, alertam que o problema pode sinalizar uma desorganização metabólica mais ampla. Essa gordura é classificada como ectópica, ou seja, depositada em regiões onde não deveria se acumular.

Quando o fígado passa a concentrar esse excesso de gordura, pode ocorrer inflamação, progressão para fibrose e, em casos mais graves, evolução para cirrose. A condição é atualmente chamada de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, conhecida pela sigla MASLD. Quando há inflamação associada, o quadro é classificado como MASH. Além dos riscos para o próprio fígado, esse processo também se relaciona a maior chance de diabetes, doenças cardiovasculares e até câncer.

É nesse cenário que a survodutida tenta se diferenciar das demais moléculas em desenvolvimento ou já utilizadas no tratamento da obesidade. O medicamento atua sobre o GLP-1, hormônio associado ao controle da fome e da saciedade, mas também ativa o receptor do glucagon. Esse segundo mecanismo é apontado como um possível diferencial, já que o glucagon participa da regulação da energia armazenada no organismo e tem ação direta no metabolismo hepático e das gorduras.

Enquanto o GLP-1 contribui para reduzir o apetite e a ingestão alimentar, o glucagon pode favorecer o uso da gordura como fonte de energia. Para pesquisadores, essa combinação pode ajudar a explicar os resultados observados na redução da gordura no fígado e da gordura visceral, considerada uma das mais prejudiciais do ponto de vista metabólico.

Fernando Valente, coordenador do Departamento de Educação em Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes, avalia que a melhora observada no fígado não deve ser explicada somente pela perda de peso. Segundo ele, o emagrecimento certamente contribui para esse efeito, mas a ativação do receptor de glucagon pode ter exercido uma ação específica na redução da gordura acumulada no órgão.

Outra pesquisa, publicada no New England Journal of Medicine, reforçou o interesse sobre a molécula. O estudo avaliou 725 adultos com obesidade e sem diabetes. Em um subgrupo de participantes, os pesquisadores utilizaram ressonância magnética para analisar com maior precisão os compartimentos de gordura corporal, diferenciando gordura hepática, gordura visceral e massa muscular.

Os resultados indicaram redução de aproximadamente 34% da gordura visceral entre os pacientes tratados com survodutida, contra cerca de 12% no grupo placebo. A gordura no fígado caiu 63%. O estudo também trouxe um ponto considerado importante no tratamento da obesidade: a preservação da massa magra. De acordo com os dados apresentados, a maior parte do peso eliminado veio de gordura, e não de músculo.

Na mesma pesquisa, os participantes que permaneceram em tratamento até o fim alcançaram perda de peso de até 16,6% ao longo de 76 semanas. O percentual é menor do que o observado em estudos com algumas moléculas concorrentes, como a tirzepatida, mas veio acompanhado de melhora em parâmetros metabólicos importantes, incluindo redução da circunferência abdominal, queda dos triglicerídeos e diminuição da pressão arterial.

Apesar dos resultados promissores, especialistas recomendam cautela. A survodutida ainda não foi comparada diretamente com medicamentos como semaglutida e tirzepatida em estudos desenhados para avaliar os mesmos desfechos, com os mesmos métodos e em perfis equivalentes de pacientes. Por isso, ainda não é possível afirmar que uma molécula seja superior à outra.

As comparações disponíveis até agora são indiretas. Os estudos envolveram populações diferentes, com graus variados de obesidade, presença ou ausência de diabetes e níveis distintos de comprometimento hepático. Também houve diferença nos métodos utilizados para avaliar a evolução da gordura no fígado. Em alguns estudos com semaglutida, por exemplo, foi realizada biópsia hepática, procedimento que não foi adotado no estudo citado sobre a survodutida para análise da gordura hepática.

Os efeitos adversos relatados seguem o padrão observado em medicamentos dessa classe. Náuseas foram registradas por cerca de 60% dos participantes, enquanto vômitos ocorreram em mais de 40%. Na maioria dos casos, os sintomas foram leves ou moderados e apareceram principalmente no início do tratamento, durante o aumento gradual da dose.

Médicos ponderam que o protocolo da pesquisa exigia que os participantes chegassem à dose máxima, sem a mesma flexibilidade que costuma existir na prática clínica. Esse fator pode ter influenciado a frequência dos eventos adversos. Eventos graves foram um pouco mais comuns entre os pacientes que receberam a medicação do que no grupo placebo, mas não houve registro de mortes.

Os estudos também têm limitações. O tempo de acompanhamento ainda é considerado curto para avaliar efeitos de longo prazo, e os participantes analisados não representam toda a diversidade de pacientes com obesidade. No caso da doença hepática, a maior parte dos voluntários estava em fases iniciais, o que significa que os efeitos da survodutida em quadros mais avançados ainda precisarão ser investigados.

Mesmo com essas ressalvas, os dados reforçam uma mudança importante na forma de compreender e tratar a obesidade. Durante muito tempo, a doença foi vista apenas como um fator associado a outros problemas de saúde. Hoje, endocrinologistas defendem que ela deve ser encarada como uma condição central, capaz de desencadear diabetes, doenças cardiovasculares, alterações no fígado, apneia do sono e problemas articulares.

Essa nova perspectiva ajuda a explicar por que os medicamentos contra a obesidade passaram a ser estudados também pelo impacto em diferentes órgãos e sistemas do corpo. A meta deixa de ser apenas reduzir o número na balança e passa a envolver melhora da composição corporal, da saúde metabólica e do risco de complicações futuras.

Nesse contexto, a survodutida entra na disputa das chamadas canetas emagrecedoras com uma proposta própria. Embora ainda não seja a molécula com maior percentual de perda de peso já observado em estudos clínicos, ela apresenta sinais relevantes de atuação sobre depósitos de gordura considerados perigosos, especialmente no fígado e na região visceral.

Se os próximos estudos confirmarem os resultados, a survodutida poderá representar um avanço em uma nova etapa do tratamento da obesidade. A primeira geração desses medicamentos mostrou que era possível promover perdas expressivas de peso. Agora, a ciência tenta demonstrar que o impacto mais importante pode estar também dentro dos órgãos, onde a gordura silenciosa costuma antecipar doenças graves.

*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.

SIGA O DIÁRIO DA GUANABARA NO INSTAGRAM

Tags: #Diabetes#emagrecimento#Endocrinologia#Fígado#GorduraNoFígado#Obesidade#saúde#saúdemetabólica#Survodutida#TratamentoDaObesidade
Notícia anterior

FMI eleva previsão de crescimento do Brasil e projeta PIB de 2,4% em 2026

Próxima notícia

Inspetor da Polícia Civil é morto em emboscada durante operação na Avenida Brasil, no Rio

Próxima notícia
Inspetor da Polícia Civil morre após emboscada na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro. Ataque deixou outra policial ferida e mobilizou grande operação na região.

Inspetor da Polícia Civil é morto em emboscada durante operação na Avenida Brasil, no Rio

RECENTES

PSD tenta garantir segundo turno no Rio. Entenda a ação no STF e a mudança na contagem que elegeu Douglas Ruas.

Eleição no Rio vai parar no STF após anulação de 274 mil votos

Por Redação DGRJ
16/10/2026 - 20:35

Programas de Lula e Flávio Bolsonaro apresentam diferenças sobre Amazônia, bioeconomia, demarcação de terras indígenas e autonomia de comunidades tradicionais.

Lula e Flávio Bolsonaro divergem sobre propostas ambientais

Por Redação DGRJ
16/10/2026 - 16:16

FMI projeta que o Brasil será a oitava maior economia do mundo em 2027, com PIB estimado em US$ 2,8 trilhões, à frente de Itália e Rússia.

Brasil pode chegar à 8ª maior economia do mundo em 2027, prevê FMI

Por Redação DGRJ
16/10/2026 - 15:16

Prazo para estudantes inscritos automaticamente no Enem 2026 escolherem inglês ou espanhol termina neste domingo (18). Questionário socioeconômico também é obrigatório.

Enem 2026: prazo para escolher idioma termina neste domingo

Por Redação DGRJ
16/10/2026 - 15:04

DESTAQUE DA SEMANA

Novo acesso facilita ligação entre Avenida Brasil e Via Dutra no Rio

Novo acesso entre a Avenida Brasil e a Via Dutra foi liberado no Trevo das Margaridas, no Rio, com uma nova rampa para facilitar o trânsito.
Por Redação DGRJ
11/10/2026 - 17:36

Motoristas que trafegam pela Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, passaram a contar com uma nova ligação para acessar a...

Ler mais

COLUNISTAS

Rodrigo Bacellar em Mossoró: a Constituição não para na porta do presídio

Roberto Barbosa
14/09/2026 06:40

Entre o prazer e a felicidade: por que o comum passou a parecer pouco

Karoline Barbosa
07/06/2026 08:50

A beleza da atuação de Fernanda Torres e a injustiça nada poética do Oscar 2025

Francisco Neto Pereira Pinto
05/03/2026 05:27

Mangueira pode ter um dos maiores poetas do país como compositor no próximo Carnaval

Claudia Freitas
27/09/2025 08:50

Zé Pelintra: símbolo de resistência e espiritualidade nos cultos afro-brasileiros

Madame Satã
06/07/2025 07:58

Portugal está se abrasileirando? Cultura, Pix e tensões com imigrantes acendem debate

Pedro Barbosa
28/05/2025 09:05
Diário da Guanabara

Diário da Guanabara Ltda.
Rua São José, nº 40 — Edifício São José
Centro — Rio de Janeiro
CEP: 20010-020

Conheça o Diário da Guanabara
  • Cidade
  • Colunistas
  • Mundo
  • Economia
  • Edições Online
  • Gente
  • Opinião
  • Política
  • D+NEWS

Diário de Guanabara - Criação Web Tchê Digital

Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Cidade
  • Colunistas
  • Mundo
  • Economia
  • Edições Online
  • Gente
  • Opinião
  • Política
  • D+NEWS

Diário de Guanabara - Criação Web Tchê Digital

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist