A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (2), uma nova fase da Operação Unha e Carne, no Rio de Janeiro. Entre os alvos está o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão no desdobramento da investigação que apura indícios de lavagem de dinheiro e possíveis conexões entre a contravenção, agentes públicos e estruturas políticas do estado.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, a ação é a quinta etapa da Operação Unha e Carne e foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. Ao todo, foram expedidos três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão, cumpridos em endereços no Rio de Janeiro e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O STF também determinou o sequestro de bens e valores que podem chegar a cerca de R$ 22 milhões.
A investigação teve início no contexto de apurações sobre o suposto vazamento de informações sigilosas de operações policiais para integrantes do Comando Vermelho. Com o avanço das diligências, a Polícia Federal passou a apurar também possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro ligados à chamada “Máfia do Cigarro” e à nova cúpula do jogo do bicho no Rio.
Nesta fase, os investigadores analisam registros encontrados em poder do contraventor Adilson Oliveira, conhecido como Adilsinho. Segundo as informações já divulgadas, as anotações indicariam supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras que podem estar relacionadas a agentes políticos do estado do Rio de Janeiro.
Também estão entre os alvos da operação o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, o pastor e empresário Márcio Poncio e o próprio Adilsinho. Bacellar e Adilsinho já estavam presos. Márcio Poncio foi preso durante a ação desta quinta-feira.
A Operação Unha e Carne ganhou força a partir de investigações sobre a infiltração do crime organizado em estruturas públicas. Em fases anteriores, a PF já havia apurado suspeitas de corrupção, fraudes em contratos públicos e possíveis relações entre agentes políticos e grupos criminosos no estado do Rio. A quarta fase, deflagrada em maio de 2026, teve como foco supostas fraudes em compras e serviços no âmbito da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro.
A Polícia Federal deve analisar o material apreendido para rastrear o fluxo financeiro investigado, identificar possíveis beneficiários e verificar a participação de intermediários e operadores do suposto esquema. Os citados são investigados e ainda não há condenação nesta fase da operação.
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