O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, tentou se distanciar nesta quarta-feira, 1º de julho, da polêmica envolvendo declarações do comentarista Paulo Figueiredo sobre o voto feminino.
Durante encontro com lideranças partidárias e mulheres da direita, em Brasília, o parlamentar repudiou a fala e afirmou que Figueiredo não integra sua pré-campanha.
A reação ocorre em um momento de forte desgaste interno no campo bolsonarista, marcado por divergências com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pela tentativa de reorganizar a relação da pré-campanha com o eleitorado feminino.
O encontro em Brasília foi planejado justamente para reduzir resistências e reconstruir pontes com mulheres conservadoras e lideranças da direita.
Flávio afirmou que se sentiu ofendido com a declaração de Paulo Figueiredo e classificou a fala como equivocada. Segundo o senador, adversários e críticos tentam atribuir à sua pré-campanha manifestações feitas por pessoas que não fazem parte da estrutura oficial do projeto eleitoral.
O parlamentar reconheceu que Paulo Figueiredo atua como aliado em pautas defendidas pela família Bolsonaro nos Estados Unidos, especialmente em articulações no exterior. Mesmo assim, reforçou que o comentarista não tem cargo, função ou responsabilidade formal na pré-campanha presidencial.
A declaração de Figueiredo ganhou repercussão após ele afirmar, em transmissão na internet, que mulheres votariam mal, especialmente as solteiras. O comentário foi feito em uma análise sobre o desempenho de nomes da direita junto ao público feminino, incluindo Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na mesma fala, Figueiredo associou o comportamento eleitoral de mulheres casadas ao voto dos maridos e fez críticas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A declaração foi considerada ofensiva por críticos e ampliou a pressão sobre a pré-campanha de Flávio, que já enfrentava turbulências internas.
Ao repudiar publicamente o episódio, Flávio buscou conter os danos políticos. O senador afirmou que não concorda com a fala e que não pode ser responsabilizado por manifestações de terceiros. Ele também disse que o comentário atingiu sua própria família, já que sua esposa também foi incluída na generalização feita por Figueiredo.
Após a reação do senador, Paulo Figueiredo declarou que Flávio fez certo ao repudiar sua fala publicamente e afirmou que não faz parte da pré-campanha. Ainda assim, disse que continuará apoiando o pré-candidato e tratou o episódio como uma divergência pontual.
A controvérsia ocorre em meio a uma crise mais ampla envolvendo Michelle Bolsonaro. Na semana passada, a ex-primeira-dama divulgou vídeo com críticas ao enteado, expondo fissuras dentro do núcleo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na terça-feira, Michelle deixou a presidência do PL Mulher após reunião com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. A saída enfraqueceu uma das principais estruturas de mobilização feminina do partido e aumentou a percepção de instabilidade dentro da legenda.
A senadora Damares Alves, do Republicanos, também não participou do encontro com mulheres promovido pela pré-campanha de Flávio. Aliada próxima de Michelle, Damares vinha sendo apontada como colaboradora em discussões do plano de governo, especialmente em temas ligados à família, mulheres, infância e assistência social.
A ausência de Michelle e Damares reduziu o peso político do evento. As duas são vistas como nomes com forte influência junto ao público feminino, evangélico e conservador, segmentos considerados decisivos para a estratégia eleitoral bolsonarista.
O episódio envolvendo Paulo Figueiredo tornou ainda mais sensível a tentativa de Flávio de se aproximar das eleitoras. O voto feminino é tratado por aliados como um dos principais desafios da pré-campanha, tanto pela resistência a determinados discursos do bolsonarismo quanto pelas disputas internas entre lideranças da direita.
A fala do comentarista também evidenciou a dificuldade do grupo em controlar discursos de aliados e influenciadores que orbitam o bolsonarismo, mas não fazem parte formal das campanhas. Em um ambiente de forte exposição nas redes sociais, declarações de apoiadores podem gerar impacto direto sobre a imagem dos pré-candidatos.
Paulo Figueiredo vive nos Estados Unidos e se tornou uma das vozes mais conhecidas do bolsonarismo no exterior. Ele mantém diálogo com integrantes da família Bolsonaro e já participou de agendas internacionais ao lado de Flávio e Eduardo Bolsonaro.
Mesmo com essa proximidade, Flávio tentou estabelecer uma separação entre apoio político informal e participação oficial na pré-campanha. A estratégia busca reduzir a associação direta entre o projeto eleitoral e a declaração considerada ofensiva sobre mulheres.
A sequência de episódios aumenta a pressão sobre o senador em uma fase decisiva de construção de alianças. Entre a crise com Michelle, a ausência de Damares e a repercussão da fala de Paulo Figueiredo, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta o desafio de recompor sua interlocução com lideranças femininas e conter novos desgastes dentro do próprio campo político.
Por enquanto, Flávio mantém o discurso de que Figueiredo pode apoiar pautas bolsonaristas no exterior, mas não fala em nome de sua campanha. A declaração busca delimitar responsabilidades e evitar que a polêmica se transforme em mais um obstáculo na tentativa de organizar a direita para a disputa presidencial.
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