O senador Romário (PL-RJ) informou, nesta terça-feira (30), que não receberá o salário parlamentar durante o período em que estiver acompanhando presencialmente a Copa do Mundo nos Estados Unidos. A declaração foi feita em pronunciamento no plenário do Senado Federal, em meio à repercussão sobre sua ausência física em Brasília durante parte do calendário legislativo.
De acordo com o parlamentar, a decisão foi comunicada oficialmente à Presidência do Senado por meio de ofício. Romário afirmou que abriu mão dos vencimentos desde o início da competição e garantiu que qualquer valor eventualmente depositado será devolvido integralmente aos cofres públicos.
O salário mensal de um senador é de aproximadamente R$ 46,4 mil. Segundo Romário, a renúncia ao pagamento foi uma medida voluntária para evitar questionamentos sobre o recebimento de remuneração enquanto ele acompanha o torneio fora do país.
Durante o discurso, o senador explicou que optou por não pedir licença formal do mandato. A justificativa apresentada foi a necessidade de manter o direito de voto em pautas consideradas relevantes, entre elas a Proposta de Emenda à Constituição que trata do fim da escala de trabalho 6×1.
Romário declarou que assumiu o compromisso de votar favoravelmente à proposta e que, por esse motivo, decidiu permanecer em exercício no Senado. Para ele, a ausência física em Brasília não impede o acompanhamento das atividades parlamentares, já que os recursos tecnológicos permitem participação remota em debates e votações.
O ex-jogador da seleção brasileira atua como comentarista esportivo durante a Copa, função que tem gerado críticas e cobranças sobre a conciliação entre o mandato parlamentar e a cobertura jornalística do Mundial. O torneio, realizado nos Estados Unidos, tem encerramento previsto para 19 de julho.
Em sua defesa, Romário afirmou que o mais importante é a postura política do parlamentar diante das pautas em discussão, e não necessariamente o local onde ele se encontra. O senador também reforçou que seguirá acompanhando os trabalhos legislativos e participando das votações quando necessário.
A situação ganhou ainda mais repercussão porque Romário já havia se afastado do Senado entre dezembro de 2025 e abril de 2026. Naquele período, o mandato foi ocupado pelo suplente Bruno Bonetti (PL-RJ). Após retornar às atividades, o senador permaneceu cerca de dois meses em Brasília antes de viajar para acompanhar a Copa.
O anúncio da devolução do salário busca reduzir o desgaste político provocado pela participação do parlamentar na cobertura esportiva. Ainda assim, o caso reacende o debate sobre presença no Congresso, votação remota, licenças parlamentares e acúmulo de atividades públicas com funções privadas.
Com a decisão, Romário tenta demonstrar que continuará exercendo o mandato sem gerar custo salarial à União durante o período em que estiver fora do país. A movimentação, porém, mantém o senador no centro das discussões sobre transparência, responsabilidade pública e dedicação às atividades legislativas.
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