A greve dos rodoviários voltou a provocar transtornos no Rio de Janeiro nesta terça-feira, marcando o segundo dia de paralisação da categoria. Em diferentes regiões da cidade, passageiros enfrentaram demora nos pontos, filas maiores e dificuldade para encontrar ônibus em circulação, enquanto os trabalhadores se reuniam em assembleia para definir os rumos do movimento.
A reunião dos rodoviários ocorreu após uma audiência de conciliação convocada pelo Tribunal Regional do Trabalho. O encontro buscou aproximar trabalhadores e empresas de ônibus em torno de uma possível solução para o impasse. Agora, a categoria analisa se aceita as condições discutidas durante a audiência ou se mantém a greve por tempo indeterminado.
A indefinição gera expectativa entre os usuários do transporte público, principalmente entre aqueles que dependem dos ônibus diariamente para trabalhar, estudar ou cumprir compromissos. Desde o início da manhã, a redução da frota já era sentida nas ruas, com relatos de passageiros que aguardaram por longos períodos sem conseguir embarcar.
A empresária Ana Paula Brito foi uma das pessoas afetadas pela paralisação. Ela contou que costuma utilizar o ônibus para ir ao trabalho por considerar o transporte mais prático, mas não conseguiu seguir sua rotina normalmente. Após esperar mais de quarenta minutos no ponto sem que passasse uma linha que atendesse ao seu trajeto, precisou recorrer a uma moto por aplicativo.
A alternativa, segundo ela, saiu bem mais cara. A corrida custou cerca de três vezes mais do que o valor que normalmente gastaria de ônibus. Além do impacto financeiro, Ana Paula afirmou que perdeu tempo e agilidade no deslocamento, situação que se repetiu com muitos passageiros ao longo da manhã.
Durante a greve, uma decisão judicial determina que ônibus convencionais e BRT mantenham ao menos 50% da frota em operação nos horários de pico. A medida tem o objetivo de reduzir os prejuízos à população e assegurar a prestação mínima de um serviço considerado essencial.
O Rio Ônibus, entidade que representa as empresas do setor, informou que aproximadamente 1.400 coletivos estavam em circulação no começo da manhã. A entidade também afirmou que não houve novos registros de vandalismo neste segundo dia de paralisação.
Com a instabilidade no sistema de ônibus, o Centro de Operações da Prefeitura do Rio recomendou que os moradores priorizassem outros meios de transporte, como metrô, trens e barcas. A orientação buscou diminuir a pressão sobre os pontos de ônibus e oferecer alternativas aos passageiros enquanto a situação não é normalizada.
A concessionária responsável pelos trens adotou uma operação especial para atender ao aumento da demanda. De acordo com as informações divulgadas, houve reforço na oferta de viagens ao longo do dia, numa tentativa de absorver parte dos usuários afetados pela redução dos ônibus nas ruas.
A paralisação ocorre em meio a uma pauta de reivindicações que inclui reajuste salarial, melhoria nas condições de trabalho e ampliação de benefícios.
Os rodoviários pedem salário de R$ 4 mil para motoristas e R$ 5 mil para condutores de coletivos articulados. A categoria também reivindica vale-alimentação de R$ 1 mil, jornada em regime 5×2, plano de saúde e plano odontológico.
Enquanto as negociações continuam, a população segue diretamente impactada pela greve. A decisão sobre o fim ou a continuidade da paralisação depende da avaliação dos trabalhadores sobre o que foi apresentado na audiência de conciliação. Até que haja um desfecho, circular pela cidade exige planejamento, paciência e, em muitos casos, gastos adicionais.
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