A crise envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro ganhou novo desdobramento às vésperas de uma agenda organizada pelo senador do PL do Rio de Janeiro com lideranças femininas conservadoras. A senadora Damares Alves, do Republicanos do Distrito Federal, afirmou nesta terça-feira (30) que não participará do encontro marcado para quarta-feira (1º), em Brasília, e indicou que a ex-primeira-dama também não deve comparecer.
A reunião foi planejada pela equipe de Flávio como uma tentativa de aproximação com o eleitorado feminino, considerado estratégico para a pré-campanha presidencial do senador. Segundo a CNN Brasil, a campanha prepara propostas voltadas ao combate à violência doméstica, empreendedorismo feminino e economia do cuidado para serem apresentadas no programa de governo.
A ausência de Damares tem peso político porque a senadora é uma das principais vozes femininas do campo conservador no Congresso e mantém relação próxima com Michelle. Ao SBT News, ela confirmou que decidiu não comparecer ao evento. A decisão ocorre após ataques de aliados de Flávio, que passaram a cobrar uma atuação mais direta da parlamentar na campanha do senador.
O desgaste começou após a divulgação de um vídeo em que Michelle relatou ter sido desrespeitada por Flávio em uma conversa sobre articulações políticas do PL. Segundo relatos publicados pela CNN Brasil, a ex-primeira-dama afirmou ter sido orientada a não interferir em decisões partidárias e disse ter se sentido humilhada pelo enteado. Depois da repercussão, Flávio pediu desculpas e fez apelo pela união da direita.
O pano de fundo da crise é a disputa por espaço na montagem das chapas do PL, especialmente no Ceará. Aliados de Michelle defendem maior reconhecimento ao trabalho feito por ela à frente do PL Mulher e cobram participação nas definições estaduais. A Folha de S.Paulo informou que Michelle estruturou diretórios do PL Mulher nas 27 unidades da federação e que aliados dela dizem que o partido deveria considerar sua opinião na formação das chapas.
Nos bastidores, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tenta reduzir o desgaste. Ele marcou conversas com Michelle e Flávio em Brasília para tentar recompor a relação interna antes que a crise familiar se transforme em problema eleitoral. Segundo a CNN Brasil, a avaliação na cúpula partidária é que a direita não deve iniciar a disputa eleitoral dividida.
A reunião desta quarta-feira, portanto, deixou de ser apenas uma agenda temática sobre mulheres e passou a funcionar como teste de articulação para Flávio. Sem Damares e com Michelle ainda distante, o encontro pode evidenciar a dificuldade do senador em reorganizar pontes com lideranças femininas conservadoras no momento em que sua pré-campanha tenta reduzir danos provocados pelo atrito público.
A eventual ausência de Michelle também tem forte simbolismo. Como figura central no PL Mulher, ela é vista por dirigentes da legenda como um ativo eleitoral relevante para ampliar a presença feminina na campanha e dialogar com o eleitorado conservador. Caso fique fora da agenda, o gesto tende a ser interpretado como sinal de que a pacificação interna ainda não foi alcançada.
O episódio aumenta a pressão sobre Flávio Bolsonaro em uma área sensível para sua imagem pública. A tentativa de demonstrar unidade com mulheres da direita ocorre justamente quando a crise expõe divergências familiares, disputa por influência partidária e questionamentos sobre o papel de Michelle na estratégia eleitoral do PL.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











