O Ministério da Saúde recomendou a aplicação de uma dose extra da vacina contra o sarampo em crianças de 6 meses a menores de 1 ano nas cidades de São Paulo e Guarulhos. A orientação foi adotada após a confirmação de três novos casos da doença em crianças na Zona Norte da capital paulista.
A medida, conhecida como “dose zero”, tem caráter preventivo e busca ampliar a proteção de bebês considerados mais vulneráveis a formas graves da doença. A aplicação será feita com a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
Segundo o Ministério da Saúde, a recomendação vale para crianças entre 6 meses e 11 meses e 29 dias. A estratégia foi indicada em São Paulo por causa dos casos recentes e também em Guarulhos devido à grande circulação de pessoas, especialmente em razão do fluxo ligado ao Aeroporto Internacional.
A dose zero não substitui o calendário regular de vacinação. Pela rotina do Programa Nacional de Imunizações, a primeira dose da tríplice viral deve ser aplicada aos 12 meses de idade. A segunda dose, aos 15 meses, completa o esquema infantil.
As autoridades de saúde informaram que, além da vacinação, estão sendo realizadas ações de vigilância epidemiológica para tentar impedir a transmissão local do vírus. Entre as medidas estão a busca por pessoas que tiveram contato com os casos confirmados, investigação de possíveis novos registros, bloqueio vacinal nas áreas próximas e varredura para identificar crianças e adultos com esquema vacinal incompleto.
Os três casos mais recentes envolvem duas crianças que frequentam a mesma creche e uma terceira que mora na mesma região. Nenhuma delas havia feito viagem recente, mas a investigação aponta possibilidade de contato com pessoas vindas do exterior. Os casos seguem sendo tratados como importados ou relacionados à importação do vírus.
Neste ano, o Brasil soma seis casos confirmados de sarampo: um no Rio de Janeiro e cinco em São Paulo. Entre os registros anteriores, houve um bebê de seis meses que retornou da Bolívia, país que enfrenta surto ativo da doença, além de um homem adulto. Os novos casos acenderam o alerta para a necessidade de reforçar a cobertura vacinal.
O Brasil recuperou, em 2024, o status de país livre da circulação endêmica do sarampo. Isso significa que o vírus não circula de forma contínua no território nacional. No entanto, casos importados continuam representando risco, especialmente em períodos de maior deslocamento internacional.
A preocupação aumenta com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, no Canadá e no México. Os três países registram circulação elevada do sarampo, o que amplia o risco de exposição de brasileiros que pretendem viajar para acompanhar o evento.
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar por meio de tosse, fala, espirro ou respiração de uma pessoa infectada. Os sintomas incluem febre, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza e conjuntivite. Em pessoas não vacinadas, a doença pode provocar complicações graves.
O Ministério da Saúde orienta que a população verifique a situação vacinal antes de viagens, especialmente para áreas com circulação do vírus. Crianças, adolescentes e adultos sem comprovante de vacinação devem procurar uma unidade de saúde.
Para pessoas de até 29 anos que não foram vacinadas ou não têm comprovação, a recomendação é receber duas doses da tríplice viral. Já pessoas entre 30 e 59 anos devem ter pelo menos uma dose. A vacinação é gratuita pelo SUS e está disponível nas unidades de saúde.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio de Janeiro.












