O governo brasileiro reforçou neste sábado (27) a operação de assistência humanitária destinada à Venezuela com o envio de uma nova carga de medicamentos, materiais hospitalares e equipamentos para ampliar o atendimento às vítimas dos terremotos que devastaram o país nesta semana. A iniciativa integra a mobilização coordenada pelo governo federal para apoiar as regiões mais afetadas pela tragédia.
A aeronave decolou da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, levando insumos médicos e o módulo complementar necessário para a instalação de um hospital de campanha. A missão foi autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como parte das ações emergenciais de cooperação entre os dois países.
Entre os materiais transportados estão kits voltados ao atendimento em situações de calamidade, contendo antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, soluções injetáveis, gazes, ataduras, seringas, luvas, esparadrapos, máscaras e equipamentos para infusão de medicamentos.
Ao todo, cinco kits de emergência foram enviados, reunindo cerca de 111,8 mil medicamentos e insumos hospitalares. Segundo o governo federal, o volume é suficiente para atender aproximadamente 1.500 pessoas durante um mês, sem comprometer os estoques destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A nova remessa complementa a operação iniciada nos últimos dias. Também neste sábado, uma aeronave KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira transportou um hospital de campanha da Marinha, profissionais de saúde e purificadores de água para reforçar o atendimento às comunidades atingidas.
Na sexta-feira (26), outro voo da FAB desembarcou na Venezuela levando equipamentos especializados para operações de busca e resgate urbano, além de uma equipe formada por integrantes da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, bombeiros militares de Minas Gerais, São Paulo e Paraná e especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A missão reuniu 36 bombeiros e nove técnicos da Defesa Civil, responsáveis por operar equipamentos de localização de vítimas, remoção de escombros e apoio logístico às equipes de salvamento.
Segundo o capitão César Tadeu, da Defesa Civil do Estado de São Paulo, o planejamento das buscas depende de informações precisas sobre os locais atingidos e a quantidade de pessoas desaparecidas.
“O principal é identificar onde estão as vítimas que ainda podem ser resgatadas. É necessário saber quantos moradores havia em cada imóvel, quantos conseguiram deixar o local e quantos permanecem desaparecidos. Essas informações orientam a atuação das equipes e aumentam a eficiência das operações”, explicou.
Os terremotos atingiram a Venezuela na quarta-feira (24). O primeiro abalo sísmico registrou magnitude 7,2, com epicentro próximo a Montalbán, no estado de Carabobo. Menos de um minuto depois, um segundo tremor, de magnitude 7,5, foi registrado nas proximidades de Yumare, no estado de Yaracuy.
Os fortes abalos provocaram o desabamento de edifícios, danos à infraestrutura, interrupção de serviços essenciais e a retirada de milhares de moradores de áreas de risco. Especialistas apontam que este foi o terremoto mais intenso registrado no país em 126 anos.
Diante da gravidade da situação, a presidente interina Delcy Rodríguez decretou estado de emergência e classificou o estado de La Guaira como zona de desastre, mobilizando recursos nacionais e solicitando apoio internacional para as ações de socorro.
O balanço oficial mais recente informa que os terremotos já provocaram 1.430 mortes e deixaram 3.238 pessoas feridas. Equipes de resgate seguem trabalhando na busca por sobreviventes sob os escombros, enquanto a ajuda internacional continua chegando ao país.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Estado do Rio de Janeiro.











