A Dívida Pública Federal (DPF) ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 9 trilhões. Dados divulgados pelo Tesouro Nacional mostram que o estoque da dívida passou de R$ 8,798 trilhões em abril para R$ 9,033 trilhões em maio, registrando crescimento de 2,66% no período.
O avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento das emissões de títulos públicos vinculados à Taxa Selic, além da incorporação dos juros ao estoque da dívida.
Mesmo com a alta, o montante permanece dentro da previsão estabelecida pelo Plano Anual de Financiamento (PAF), que estima que a dívida encerre 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), formada pelos títulos negociados no mercado doméstico, aumentou de R$ 8,462 trilhões para R$ 8,692 trilhões.
Durante maio, o Tesouro Nacional emitiu R$ 166,23 bilhões em títulos, o maior volume já registrado para o mês desde o início da série histórica.
No mesmo período, os resgates somaram R$ 30,62 bilhões, permitindo uma captação líquida de R$ 135,61 bilhões. Além disso, R$ 94,17 bilhões referentes à atualização dos juros foram incorporados ao estoque da dívida, contribuindo para a elevação do saldo total.
Com a Taxa Selic em 14,25% ao ano, os títulos indexados aos juros básicos ganharam maior participação na composição da dívida pública. A fatia desses papéis passou de 48,59% para 48,99% em maio. Já os títulos corrigidos pela inflação recuaram para 26,26%, enquanto os prefixados subiram para 21%. Os papéis vinculados ao câmbio tiveram leve redução, encerrando o mês com participação de 3,75%.
A dívida externa também apresentou crescimento. O estoque passou de R$ 335,88 bilhões para R$ 340,49 bilhões, influenciado principalmente pela valorização de 1,37% do dólar durante o mês.
Outro indicador que voltou a crescer foi o chamado colchão da dívida, reserva financeira utilizada pelo governo para enfrentar períodos de maior necessidade de pagamento de títulos. O saldo atingiu R$ 1,211 trilhão, o maior nível desde novembro de 2025, suficiente para cobrir aproximadamente 9,14 meses de vencimentos.
O prazo médio da dívida caiu de 4,12 para 4,07 anos, indicando um refinanciamento um pouco mais curto. Segundo o Tesouro Nacional, as instituições financeiras continuam sendo as maiores detentoras da dívida interna, com participação de 31,54%, seguidas pelos fundos de pensão, fundos de investimento e investidores estrangeiros.
A participação do capital estrangeiro caiu de 10,38% para 10,14% em maio. De acordo com o Tesouro, o movimento reflete o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais diante das tensões geopolíticas provocadas pelo conflito no Oriente Médio.
Por meio da emissão de títulos públicos, o governo obtém recursos para financiar suas despesas e compromissos financeiros. Em contrapartida, assume a obrigação de devolver os valores aos investidores acrescidos da remuneração prevista em cada tipo de título, que pode estar atrelada à Selic, à inflação, ao câmbio ou a uma taxa prefixada.
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