O Ministério da Saúde anunciou o início de um projeto-piloto para avaliar a utilização da semaglutida no tratamento da obesidade por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
A pesquisa será conduzida no Grupo Hospitalar Conceição, no Rio Grande do Sul, e envolverá pacientes que já recebem acompanhamento especializado na instituição.
A semaglutida é o princípio ativo de um dos medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”.
O objetivo do estudo é analisar a eficácia clínica da terapia, seus benefícios para os pacientes e a viabilidade de uma futura incorporação do medicamento à rede pública de saúde.
Na etapa inicial, o projeto contará com a participação de 250 pacientes diagnosticados com obesidade grave ou obesidade associada a outras doenças, como enfermidades cardiovasculares. Todos os participantes possuem indicação para cirurgia bariátrica e já estão em acompanhamento pelo Grupo Hospitalar Conceição.
Segundo o Ministério da Saúde, a escolha desse público reflete o perfil dos pacientes atendidos pela unidade hospitalar. Dados da instituição apontam que 91% dos pacientes acompanhados apresentam obesidade mórbida, enquanto menos da metade reúne condições clínicas para realizar a cirurgia bariátrica. A hipertensão arterial aparece como a comorbidade mais frequente entre os casos.
Durante os dois anos previstos para o estudo, os pesquisadores acompanharão diversos indicadores, incluindo perda de peso, melhora da qualidade de vida, resultados de exames clínicos, evolução dos pacientes após procedimentos cirúrgicos e os custos relacionados à eventual adoção da terapia no SUS.
O projeto será financiado com recursos destinados ao hospital por meio da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), provenientes de aporte financeiro realizado pela empresa fabricante do medicamento.
Para participar da pesquisa, os pacientes deverão cumprir critérios específicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Além de já estarem em tratamento no Grupo Hospitalar Conceição, será necessário possuir diagnóstico de obesidade há pelo menos um ano, comprovar que não obtiveram sucesso com tratamentos convencionais — como reeducação alimentar e prática regular de atividade física por, no mínimo, dois meses — e demonstrar capacidade para realizar a autoaplicação do medicamento ou contar com o auxílio de um cuidador.
Apesar do início do estudo, a semaglutida ainda não faz parte da lista de medicamentos disponibilizados pelo SUS. Em agosto do ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) recomendou que tanto a semaglutida quanto a liraglutida não fossem incorporadas à rede pública, principalmente em razão do elevado impacto financeiro.
Estimativas do Ministério da Saúde indicam que a oferta desses medicamentos poderia representar um custo anual de aproximadamente R$ 8 bilhões aos cofres públicos.
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