Estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificou a presença de sertralina, um antidepressivo de uso humano, no cérebro de tubarões-martelo encontrados no litoral do Rio de Janeiro.
O achado acende um alerta para a crescente poluição farmacêutica nos oceanos e seus possíveis impactos sobre espécies marinhas ameaçadas.
As amostras foram coletadas a partir de tubarões capturados de forma acidental em redes de pesca nas regiões do Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca e Copacabana, na zona costeira da capital fluminense.
Segundo os pesquisadores, a presença da substância está ligada à liberação de resíduos farmacológicos no ambiente marinho, resultado da incapacidade das estações de tratamento de esgoto em eliminar completamente esses compostos.
De acordo com a equipe da UFRJ, ainda não há evidências conclusivas de que a sertralina cause alterações comportamentais nos tubarões ou interfira diretamente em sua interação com o ambiente ou com outras espécies. As análises sobre possíveis efeitos fisiológicos seguem em andamento.
Apesar disso, os cientistas alertam que a detecção do medicamento já indica um nível preocupante de contaminação ambiental.
A pesquisadora Mariana Alonso, do Instituto de Biofísica da UFRJ, destaca que o problema não envolve apenas uma substância isolada, mas um conjunto de contaminantes químicos que podem atuar de forma combinada nos ecossistemas marinhos.
O estudo reforça ainda que fármacos presentes na água do mar devem ser tratados como poluentes emergentes, exigindo maior monitoramento, além de investimentos em tecnologias mais eficientes de tratamento de esgoto.
Os pesquisadores também defendem a criação e fortalecimento de políticas públicas voltadas à redução da contaminação química nos oceanos e à preservação da fauna marinha.
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