Em visita oficial à Rússia nesta quarta-feira (15), o presidente da Síria, Bashar al-Assad, admitiu a possibilidade dos dois países ampliarem uma aliança estratégica, aumentando o número de bases militares no Mediterrâneo.
Em entrevista à agência Sputnik, Assad afirmou que o Ocidente deflagrou a terceira guerra mundial contra a Rússia, segundo ele, utilizando como tática a “guerra por procuração”, em aliança com nazistas na Ucrânia, assim como mantém laços com terroristas na Síria.
“Acredito que a Terceira Guerra Mundial está acontecendo, mas é diferente em forma. Quero dizer, guerras mundiais costumavam ser tradicionais. Os exércitos de várias nações agiam contra vários outros. Agora, essa situação existe, mas por causa das armas modernas, especialmente as armas nucleares, há um impedimento à guerra tradicional, então as guerras vão na direção de guerras por procuração”, disse.
Trecho da entrevista:
A Rússia e a Síria mantém uma aliança no combate ao terrorismo. Esta aliança permite que as forças armadas russas mantenham uma presença efetiva no país. Esta aliança, que tem apoio do Irã, foi determinante para derrotar os terroristas do Estado Islâmico.
Agora, o que se vislumbra é uma ampliação da presença militar russa com bases militares no decurso do que se define como terceira guerra mundial, tendo em vista a localização estratégica da Síria no Mediterrâneo.
Na visita à Rússia, Bashar al-Assad se encontrou com o homólogo Vladimir Putin. Na véspera, os lados russo e sírio ao nível dos ministros da Defesa, se reuniram para discutir temas de interesse bilateral na área econômica e defesa.
“Acreditamos que se a Rússia quer expandir bases ou aumentar seu número, é uma questão técnica ou logística. Se houver tal desejo, acreditamos que a expansão da presença russa na Síria cai bem”, declarou Assad.
“Não costumamos declarar que tipo de cooperação entre nós e a Rússia, porque é uma questão militar, que sempre tem um tipo de sigilo. É normal”, disse.
Assad destacou que há um desejo de expansão das bases militares, o que é determinado por uma questão técnica ou logística. Ele salientou que essa presença militar da Rússia não deve ser temporária e limitada à luta contra o terrorismo. Deve ser permanente visando um equilíbrio de forças.
“Deve ser permanente para promover o equilíbrio internacional, e a presença da Rússia na Síria tem um significado, ligado ao equilíbrio de forças no mundo como um país localizado no Mediterrâneo”, sublinhou.
Conflito na Ucrânia
Sobre o conflito na Ucrânia, o presidente sírio diz que Vladimir Zelensky (presidente ucraniano) “está travando uma guerra em nome do Ocidente com seu Exército composto de nazistas”.
“O mesmo, terroristas são exércitos agindo em nome do Ocidente na Síria e em outras regiões”, acrescentou.
Ele avalia que após a operação militar especial na Ucrânia, “com a vitória da Federação da Rússia, o mundo se tornará mais seguro e calmo”.
Sobre a dinâmica de um mundo multipolar, o presidente sírio avalia que uma coalizão dos países é necessária para combater a hegemonia dos Estados Unidos no mundo, enfatizando a importância da Rússia e da China para o estabelecimento desta nova configuração na geopolítica.
“Não podemos dizer, que existe tal Estado que pode acabar com a agressão americana, que dura pelo menos três décadas desde o colapso da União Soviética ou até mais – desde a Guerra da Coreia. Mas há métodos diferentes. Se estamos falando de atividades políticas, precisamos de uma coalizão entre vários países”, disse.
Os EUA são descritos como ameaça à estabilidade global, o que gerou uma desconfiança entre entre vários países, incluindo os integrantes dos BRICS.
“Há países do bloco BRICS, há outros países que começaram a se distanciar dos EUA e perder a fé em Washington, sentindo que os EUA são uma ameaça à estabilidade mundial”, explicou.
Na entrevista, o presidente afirmou que dispõe de várias evidências de treinamento norte-americano aos terroristas no território da base militar de Al-Tanf, região ocupada ilegalmente pelas Forças Armadas dos EUA, também acusadas de roubar petróleo e alimentos através da fronteira com o Iraque.
“Al-Tanf é um campo terrorista, e não tem outro propósito. O que os Estados Unidos obtêm por estarem nesta área no coração do deserto? Não há dúvida de que eles têm campos terroristas, nos quais há dezenas de milhares com suas famílias”, disse Assad.
A base militar americana Al-Tanf está situada no sul da província síria de Homs, perto da fronteira com o Iraque e a Jordânia.
Desde 2014, os EUA e seus aliados têm conduzido a Operação Resolução Inabalável contra Daesh (Estado Islâmico) na Síria e no Iraque. Enquanto no Iraque prestam assistência a pedido das autoridades do país, na Síria operam sem a permissão de Damasco.
O presidente da República Árabe não evitou comentar as relações entre Síria e Turquia. Ele declarou que estava pronto para se encontrar com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan somente após a retirada das tropas turcas da República Árabe.
Na Rússia, Assad conversou sobre a assinatura de um acordo de cooperação econômica e projetos de investimento entre os dois países. O presidente sírio chamou as negociações sobre essas questões de uma nova etapa nas relações entre os dois países, observando que o trabalho sobre este acordo durou vários anos.
Da Agência Fonte Exclusiva com informações da Sputnik. Compartilhe esta reportagem, do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











