A nova fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o Banco Master, ganhou repercussão política na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. No plenário, os vereadores Alana Passos e Rafael Satiê, ambos do PL, usaram o caso para cobrar posicionamento da esquerda após a Polícia Federal cumprir mandado de busca e apreensão contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado.
A operação foi deflagrada nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, e teve como alvos Wagner e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, os agentes cumpriram 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A investigação apura suspeitas de crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Na Câmara do Rio, Alana Passos afirmou que o caso expõe uma diferença de tratamento político quando investigações atingem aliados do PT. A vereadora provocou parlamentares de esquerda e cobrou manifestações públicas sobre a operação.
“Quando é com a família Bolsonaro, aparece um monte de papagaio para falar. Não vai falar sobre o senador não?”, disse Alana no plenário.
A vereadora também mencionou suspeitas envolvendo familiares de Jaques Wagner e levou o debate para o campo nacional, citando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em tom crítico, ironizou declaração recente de Lula no G7, em que o presidente afirmou nunca ter sido esquerdista.
Rafael Satiê também subiu o tom e tratou a operação como um desgaste direto para o governo federal. Para o vereador, o fato de o alvo ser o líder do governo no Senado amplia o peso político do caso.
“O líder do governo, no Senado, sofre uma busca e apreensão. Agora quero ver qualquer um dessa sigla defender o Jaques Wagner”, afirmou Satiê.
A repercussão mostra que o caso Banco Master deixou de ficar restrito ao campo policial e financeiro e passou a ocupar espaço no embate político entre governo e oposição. Para parlamentares do PL, a investigação envolvendo um nome próximo a Lula reforça o discurso de cobrança contra o PT e contra a base governista.
A Polícia Federal investiga uma possível relação ilícita entre executivos ligados ao Banco Master e agentes públicos. Segundo a CNN Brasil, a decisão que autorizou a operação menciona elementos indicativos de supostas vantagens econômicas indevidas, direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias.
O PT divulgou nota afirmando ter confiança em Jaques Wagner e declarou que o senador esclarecerá os fatos, comprovando sua inocência. O partido também afirmou apoiar as apurações sobre o Banco Master e defendeu que eventuais crimes sejam investigados e punidos.
Até o momento, a operação está em fase de investigação. Não há condenação contra Jaques Wagner no caso.
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