O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o memorando de entendimento negociado com o Irã ainda não representa um acordo definitivo e ameaçou retomar ataques militares contra Teerã caso não fique satisfeito com o comportamento da liderança iraniana.
A declaração foi dada durante uma conversa com jornalistas, em meio a um encontro bilateral com o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi. Trump foi questionado sobre o entendimento anunciado entre Washington e Teerã e deixou claro que, para os Estados Unidos, o documento ainda está condicionado ao cumprimento de exigências políticas e militares.
“Não, não é definitivo. É um memorando de entendimento. E, se eu não gostar, voltaremos a atacar e bombardeá-los. Se eu não gostar, se eles não se comportarem”, disse Trump.
O presidente norte-americano acusou a liderança iraniana de “se comportar mal” por décadas e atribuiu o avanço das negociações à pressão exercida pelos Estados Unidos. Ele também citou o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani, morto em janeiro de 2020 durante seu primeiro mandato, como uma das ações que, segundo ele, enfraqueceram a posição de Teerã.
Trump afirmou ainda que os Estados Unidos “dominaram” e “aniquilaram” parte da capacidade militar iraniana, além de impor um bloqueio naval que teria sido decisivo para levar o país à mesa de negociação. O tom adotado pelo republicano reforça que, apesar do anúncio diplomático, Washington mantém a opção militar como instrumento de pressão.
O memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã foi anunciado no domingo (14), após semanas de negociações tensas. A assinatura oficial está prevista para sexta-feira (19), na Suíça. O documento é tratado como uma etapa preliminar para tentar consolidar um cessar-fogo e abrir caminho para um acordo mais amplo.
Pelos termos divulgados até agora, o entendimento prevê a prorrogação do cessar-fogo por 60 dias e uma nova fase de conversas sobre temas considerados sensíveis, como o programa nuclear iraniano, sanções econômicas, circulação de navios no Estreito de Ormuz e a atuação de grupos aliados ao Irã no Oriente Médio.
No primeiro anúncio, Trump chegou a comemorar o avanço das tratativas e disse que o acordo com a República Islâmica “já é uma realidade”. Ele também autorizou a reabertura do Estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval norte-americano, medidas consideradas estratégicas para o comércio internacional de petróleo.
Do lado iraniano, o vice-ministro de Assuntos Jurídicos e Internacionais da Chancelaria, Kazem Gharibabadi, declarou que o entendimento previa o fim imediato das operações militares em várias frentes, incluindo o Líbano. A posição de Teerã, no entanto, ainda é cercada de cautela diante das ameaças feitas pelo presidente norte-americano.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, apontado como um dos mediadores do processo, também participou das articulações diplomáticas. Mesmo assim, a ausência de um acordo final público e as diferenças entre as versões apresentadas pelos dois lados mantêm o cenário instável.
A nova fala de Trump mostra que o memorando reduziu momentaneamente a tensão, mas não encerrou a crise. A possibilidade de retomada dos ataques segue como um dos principais riscos para a estabilidade no Oriente Médio e para o mercado global de energia.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











