Uma nova etapa da medicina regenerativa começou a ser explorada nos Estados Unidos com o início dos testes em humanos de uma terapia genética experimental desenvolvida para rejuvenescer células envelhecidas.
O procedimento está sendo conduzido pela empresa de biotecnologia Life Biosciences e foi divulgado pela revista científica Nature.
A iniciativa é considerada inédita porque marca a primeira aplicação clínica em humanos de uma técnica conhecida como “reprogramação parcial celular”, tecnologia que até então vinha sendo estudada apenas em animais de laboratório.
O estudo clínico foi direcionado inicialmente para pacientes com glaucoma, doença degenerativa que provoca danos progressivos ao nervo óptico e pode levar à perda permanente da visão.
O objetivo dos pesquisadores é estimular a regeneração de células nervosas responsáveis pela transmissão das informações visuais da retina ao cérebro.
A técnica utiliza três genes capazes de modificar parcialmente células envelhecidas, fazendo com que elas recuperem características típicas de células mais jovens sem perder totalmente sua função original.
Segundo os cientistas, a proposta é “reiniciar” parcialmente o comportamento celular sem apagar a identidade biológica do tecido tratado.
Pesquisas anteriores realizadas em camundongos apresentaram resultados considerados promissores. Em alguns testes, os animais demonstraram regeneração parcial do nervo óptico e recuperação de parte da capacidade visual após o tratamento experimental.
Especialistas da área afirmam que o avanço pode abrir caminho para novas terapias voltadas a doenças associadas ao envelhecimento, especialmente enfermidades neurodegenerativas e condições relacionadas à perda funcional de tecidos.
O pesquisador Matt Kaeberlein, ligado aos estudos sobre longevidade e cofundador da empresa Optispan, afirmou que a reprogramação celular representa uma das linhas mais promissoras da medicina regenerativa, embora ainda existam desafios importantes relacionados à segurança da técnica.
Nesta fase inicial do ensaio clínico, os cientistas pretendem avaliar principalmente os possíveis riscos da terapia genética em seres humanos. Entre as maiores preocupações está a possibilidade de alterações celulares descontroladas que possam favorecer o surgimento de tumores.
Os pesquisadores ressaltam que o tratamento ainda está em estágio experimental e deverá passar por diversas etapas de testes clínicos antes de qualquer eventual aprovação regulatória.
Mesmo assim, o início da aplicação em humanos já é tratado por parte da comunidade científica como um marco relevante para os estudos envolvendo envelhecimento, regeneração celular e terapias genéticas.
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