*Por João Vicente Alvarenga
É possível explicar a origem do Universo? Mesmo que ainda não se tenha “batido o martelo” e fechado o livro do firmamento, ele é visível/invisível, seja por vontade própria ou pelo conjunto de esforços para a soma de sua existência.
Por isso o conjunto físico-espiritual que povoa nosso imaginário será sempre um mistério que podemos resumi-lo na especulação do fim do mundo.
A existência como maior bem da vida é cercada de mistérios, guarnecida por astros, planetas, estrelas e buracos-negros que nos dão todo o sentido de que dispomos para entender que existimos, na dinâmica do jogo de aparência e ‘desaparêcia”.
Platão, pré-cristão, monoteísta, vai afirmar, sem nenhum laivo de constrangimento, seu misticismo escancarado. Ele diz que o criador do mundo foi DEUS. Uma frase dele que explica isso: “nós somos uma criação admirável, saída das mãos de deus…” E expressão maior de seu misticismo: ele acredita que orando nós somos capazes de estar com Deus. Não deixa dúvidas sobre seu forte sentimento místico, numa arquitetura sólida que se imporia ao séculos.
Não somos e nem seremos o resultado do cálculo da soma total de Deus em nós. (SEARCH, s/d), PLATÃO descreveu no diálogo TIMEU, uma teoria própria de como o universo foi formado a partir do nada, ele une na construção da realidade suas paixões: o mundo, a matemática, a geometria e a música, porém não abre(m) mão de uma parte mítica, como já vimos, legada ao árbitro do inexplicável, do incognoscível.
Em história da origem do cosmos, encontramos duas palavras gregas: cosmos, que quer dizer universo, e gignomai (origem), que remete ao nascimento. Trata-se de um relato que explica a criação e a ordem do mundo e, ao mesmo tempo, sobre o surgimento dos seres humanos, uma aventura ontológica. Uma totalidade divergente, desdobrada na pluralidade das cores, das formas e movimentos circulares.
O universo é rotacional. A Terra gira em torno de seu próprio eixo, além de rolar pelo espaço em repouso e movimento. Ideia de renovação incansável! Ser e existir são experiências espaciais absurdas, mesmo na sua cotidianidade, onde a confusão do espaço cósmico se manifesta na sua essência, que não outra, movimento, criação e repouso.
Foi entre os antigos gregos que foi desenvolvido o conceito de Cosmo. É a palavra grega que significa “ordem”, construção. Os pré-socráticos utilizaram, pela primeira vez, o termo cosmos para designar o universo material, considerado enquanto dotado de ordem, como um objeto de estudo da ciência e de admiração estética, remetendo a Kósmos, no seu significado de beleza, ordem, organização e harmonia.
Platão foi o responsável por introduzir a noção de dualismo cósmico (mais tarde explorado por Descartes e pelo Cristianismo), que, ao converter o sensível ao inteligível, realiza o grande movimento de assentamento das bases do conhecimento e da verdade. Ou seja, despertar, reviver e relembrar esse conhecimento esquecido. Dessa forma, a alma se liberta das aparências para se abrir ao conhecimento das ideias verdadeiras.
O cosmos é ou não é a coisa em? O cosmos é o cosmos e toda sua extensão! O cosmos é em si, ou estamos lidando com algo da ordem do metafísico? Os Pré-socráticos buscaram elementos para estruturar a origem da ciência, com afirmativa de base filosófica, científica, teológica e cosmológica.
A origem do universo está assentada num fenômeno de ordem física ou espiritual? Os gregos não cogitaram de nenhum fator “iluminação”, a não ser de “iluminação intelectual”, conceito que inevitavelmente se confundiria com o conceito de Deus de base platônica.
Se quisermos entrar no campo da cosmologia, posicionaremos o universo e o próprio ser humano (no ambiente da origem, evolução, composição do Universo), na ação e negação do espaço, enquanto pudermos pronunciar a questão SER OU NÃO SER. E onde procuramos Descartes recitando, a fórmula da desumanidade – penso, logo existe.
Sobre o autor: João Vicente Alvarenga é professor, Mestre em Filosofia, Escritor e ex-postulante ao Diploma de Bacharel em Direito e escreve regularmente para o Portal VIU!
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