O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, criticou nesta quinta-feira (4) a política de sanções adotada pela União Europeia contra a Rússia. A declaração foi feita durante depoimento ao Comitê de Finanças do Senado americano, em uma audiência destinada a discutir o orçamento do Departamento do Tesouro.
Ao responder a um questionamento sobre a possibilidade de Washington adotar novas sanções significativas contra Moscou, Bessent afirmou que vê com ceticismo a estratégia de sucessivos pacotes de punições econômicas. Segundo ele, o fato de a União Europeia já estar em uma nova rodada de medidas indica que as anteriores não surtiram o efeito esperado.
O secretário ironizou a postura europeia ao dizer que o bloco estaria orgulhoso de ter chegado a mais um pacote de sanções. Para Bessent, no entanto, a repetição das medidas revela justamente a limitação da estratégia.
Segundo ele, se a União Europeia precisa anunciar sucessivas rodadas de restrições contra a Rússia, isso pode ser interpretado como sinal de que os pacotes anteriores não foram suficientes para mudar o comportamento de Moscou.
Apesar da crítica, Bessent fez questão de afirmar que sua posição não deve ser confundida com falta de apoio à Ucrânia. O secretário disse que seu ceticismo está relacionado à eficácia das sanções, e não à defesa de Kiev no conflito contra a Rússia.
A fala ocorre em um momento de debate entre aliados ocidentais sobre os próximos passos da pressão econômica contra o governo russo. Desde o início da guerra na Ucrânia, países europeus e os Estados Unidos vêm adotando medidas para limitar o acesso da Rússia a recursos financeiros, tecnologia, comércio internacional e setores estratégicos da economia.
A União Europeia tem ampliado periodicamente suas restrições contra Moscou, mirando bancos, empresas, autoridades russas, setores de energia, transporte, defesa e mecanismos usados para driblar bloqueios econômicos. Mesmo assim, a Rússia tem buscado alternativas comerciais e financeiras para reduzir os efeitos das sanções.
A declaração de Bessent expõe uma divergência sobre o caminho mais eficaz para pressionar Moscou. Para parte dos governos europeus, as sanções continuam sendo uma ferramenta essencial para enfraquecer a capacidade econômica e militar russa. Já críticos da estratégia afirmam que a repetição de pacotes pode demonstrar baixa efetividade prática.
No Senado americano, o secretário do Tesouro deixou claro que novas medidas precisam ser avaliadas com cautela. A preocupação é que sanções sucessivas, quando não produzem resultados concretos, possam gerar desgaste diplomático, impacto econômico e perda de força política.
Mesmo com o tom crítico, Bessent reforçou que os Estados Unidos seguem atentos à guerra na Ucrânia e ao papel da Rússia no conflito. A diferença, segundo sua fala, está na forma de medir se as medidas econômicas realmente cumprem o objetivo de pressionar o Kremlin.
A declaração deve repercutir entre aliados europeus, especialmente porque coloca em dúvida a eficiência de uma das principais estratégias adotadas pelo Ocidente contra Moscou desde o início da guerra.
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