O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (3) que o Brasil poderia incluir o Pix em uma eventual mesa de negociações com os Estados Unidos. A declaração foi feita em meio às críticas de autoridades brasileiras a possíveis interferências norte-americanas em temas econômicos e de soberania nacional.
Ao comentar o assunto, Eduardo comparou o Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado e operado sob coordenação do Banco Central do Brasil, ao Zelle, plataforma de transferências utilizada nos Estados Unidos. Segundo ele, os dois países teriam mecanismos semelhantes e, por isso, haveria espaço para diálogo com o governo norte-americano.
“Os EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix. Por exemplo, o Zelle é o Pix dos EUA. Então, dá para ir para mesas de negociação com os americanos com bons argumentos. Dá para sentar e negociar”, declarou Eduardo.
Apesar da comparação, os dois sistemas têm diferenças importantes. O Pix é uma infraestrutura pública do sistema financeiro brasileiro, desenvolvida pelo Banco Central, voltada a pagamentos e transferências instantâneas. Já o Zelle é uma rede privada de pagamentos operada pela Early Warning Services, empresa ligada a grandes bancos dos Estados Unidos, como Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo.
A fala também ocorreu em um contexto de tensão diplomática e política envolvendo a decisão dos Estados Unidos de designar as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras a partir de 5 de junho, conforme anúncio do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A medida foi interpretada por setores do governo brasileiro como um tema sensível, por envolver segurança pública, combate ao crime organizado, soberania nacional e eventuais impactos econômicos.
Outro ponto citado por Eduardo Bolsonaro foi a possibilidade de discussão sobre minerais críticos, especialmente terras raras. Esses recursos são considerados estratégicos por sua aplicação em setores como tecnologia, energia, defesa, veículos elétricos e equipamentos eletrônicos. Segundo o ex-deputado, Brasil e Estados Unidos teriam áreas econômicas complementares nesse campo.
As declarações surgem após a viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos. Durante a agenda, ele defendeu junto a autoridades norte-americanas a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. O movimento ampliou o debate político no Brasil, com integrantes do governo Lula avaliando que a iniciativa poderia abrir margem para pressões externas sobre temas internos do país.
No centro da controvérsia está a diferença entre cooperação internacional no combate ao crime organizado e a preservação da autonomia brasileira em decisões de segurança, economia e política financeira. Para o governo, o combate a facções deve ocorrer com cooperação jurídica e policial, mas sem permitir ações que possam ser interpretadas como intervenção estrangeira.
A discussão sobre o Pix ganhou peso porque o sistema se tornou uma das principais ferramentas de pagamento no Brasil, com uso amplo por pessoas físicas, empresas, bancos, fintechs e órgãos públicos. Qualquer debate internacional envolvendo o mecanismo tende a gerar repercussão por sua relevância econômica e social.
Até o momento, a fala de Eduardo Bolsonaro reforça a disputa política em torno da relação entre Brasil e Estados Unidos, em um cenário que mistura segurança pública, comércio, tecnologia financeira, minerais estratégicos e soberania nacional.
*Compartilhe este conteúdo do Diário da Guanabara, o melhor site de notícias do Rio de Janeiro.











