Uma nova frente de tensões comerciais entre Estados Unidos e diversos países ganhou força nesta terça-feira (2), após o escritório do representante de comércio norte-americano divulgar um relatório que inclui o Brasil em um grupo de economias avaliadas por falhas no controle de importações ligadas a trabalho forçado.
O tema ainda está em fase de análise e não resulta, por enquanto, em aplicação imediata de medidas.
De acordo com o documento, cerca de 60 países não adotariam mecanismos considerados suficientemente eficazes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em cadeias produtivas internacionais.
A avaliação não aponta uso direto desse tipo de mão de obra no Brasil, mas questiona a capacidade de fiscalização para barrar mercadorias de origem irregular vindas do exterior.
A partir dessa análise, os Estados Unidos passaram a discutir a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% para um grupo de 54 países, no qual o Brasil está incluído.
A proposta também alcança nações como Argentina, Chile, China, Índia, Rússia e África do Sul, entre outras economias relevantes do comércio global.
Um segundo grupo, formado por seis economias, incluindo União Europeia, México e Canadá, pode ser alvo de tarifas menores, estimadas em 10%, sob o argumento de fragilidades nos mecanismos de controle de importações.
Apesar do anúncio, nenhuma das medidas está em vigor. O processo segue em fase de consultas e avaliações até julho, quando o governo norte-americano deve decidir se implementa, altera ou abandona as propostas apresentadas.
No caso brasileiro, essa nova discussão se soma a outra proposta já em análise, que prevê uma tarifa adicional de 25% sobre produtos do país sob a justificativa de práticas comerciais consideradas desleais.
Ambas as iniciativas podem avançar de forma paralela e ainda dependem de decisão final das autoridades dos Estados Unidos.
As duas frentes de possível taxação colocam o Brasil em um cenário de pressão comercial simultânea, enquanto o tema segue em avaliação e sujeito a negociações diplomáticas nas próximas semanas.
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