O Departamento de Estado dos Estados Unidos negou que o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, tenha influenciado a decisão do governo norte-americano de classificar o Primeiro Comando da Capital, PCC, e o Comando Vermelho, CV, como organizações terroristas estrangeiras.
A declaração foi dada na sexta-feira, 29 de maio, pela porta-voz do Departamento de Estado para assuntos do Brasil, Amanda Roberson, em entrevista à GloboNews. Questionada sobre a participação de Flávio Bolsonaro no processo, ela afirmou que as decisões do governo dos Estados Unidos são tomadas pelo presidente Donald Trump e por sua equipe, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio.
A fala da representante norte-americana ocorre após Flávio Bolsonaro afirmar publicamente que pediu pessoalmente ao presidente Donald Trump a inclusão das facções brasileiras na lista de organizações terroristas. O senador esteve em Washington e disse que a classificação do PCC e do CV como grupos terroristas foi o tema central de sua conversa com autoridades americanas.
Apesar da negativa sobre influência direta, a decisão foi comemorada por Flávio Bolsonaro. O parlamentar afirmou que as facções criminosas brasileiras atuam com violência, controle territorial, tráfico internacional de drogas e ataques contra agentes públicos e civis, defendendo que a medida amplia o cerco internacional contra essas organizações.
O Departamento de Estado anunciou a classificação em 28 de maio. Segundo o comunicado oficial, PCC e CV são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil, comandam milhares de integrantes e são acusadas de coordenar ataques contra policiais, servidores públicos e civis. A nota também afirma que suas redes ilícitas ultrapassam as fronteiras brasileiras.
A medida prevê que as facções passem a ser tratadas como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho de 2026. Até lá, os grupos já foram enquadrados como terroristas globais especialmente designados, categoria que permite sanções financeiras, bloqueio de bens sob jurisdição norte-americana e restrições a pessoas ou empresas que prestem apoio material às organizações.
Amanda Roberson também afirmou, segundo veículos brasileiros, que PCC e CV teriam atuação identificada em 12 estados norte-americanos. A presença ou conexão das facções em território dos Estados Unidos teria sido um dos fatores considerados por Washington na decisão.
No Brasil, a classificação gerou reação imediata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula criticou a decisão dos Estados Unidos, afirmou que o combate ao crime organizado deve ser conduzido pelas instituições brasileiras e acusou Flávio Bolsonaro de agir contra interesses nacionais ao levar o tema ao governo norte-americano.
O governo brasileiro vê a medida com preocupação por avaliar que a designação pode abrir espaço para impactos diplomáticos, financeiros e jurídicos. Entre os pontos sensíveis está o risco de empresas brasileiras serem submetidas a maior escrutínio internacional caso atuem em áreas onde facções exercem controle territorial ou influência econômica.
Especialistas ouvidos pela imprensa internacional apontam que a classificação pode ampliar a cooperação em inteligência, investigações financeiras e bloqueio de ativos, mas também pode gerar efeitos colaterais para setores econômicos e para a relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos.
A decisão também entrou no centro da disputa política brasileira. Para aliados de Flávio Bolsonaro, a medida reforça o discurso de endurecimento contra o crime organizado. Para integrantes do governo Lula, a iniciativa representa interferência externa em assunto de segurança pública nacional e pode produzir consequências negativas para a soberania brasileira.
O episódio deve seguir no debate político nos próximos dias, especialmente com a entrada em vigor da classificação formal em 5 de junho. Enquanto Washington sustenta que a medida faz parte de sua política de combate ao narcoterrorismo e ao crime transnacional, o governo brasileiro afirma que seguirá tratando PCC e CV como organizações criminosas a serem enfrentadas dentro do marco legal nacional.
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