Considerada uma das principais doenças neurológicas que acometem adultos jovens, a esclerose múltipla afeta aproximadamente 40 mil pessoas no Brasil e continua sendo um desafio para pacientes e profissionais de saúde.
Embora ainda não exista cura, os avanços terapêuticos das últimas décadas têm ampliado as possibilidades de controle da enfermidade e melhorado a qualidade de vida de quem convive com o diagnóstico.
A esclerose múltipla é uma doença autoimune que atinge o sistema nervoso central. Nessa condição, o sistema imunológico passa a atacar estruturas responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos, provocando alterações que podem comprometer movimentos, sensibilidade, visão e outras funções neurológicas.
Entre os sintomas mais frequentes estão fadiga intensa, fraqueza muscular, dificuldades de coordenação motora, alterações de equilíbrio, dores, perda de sensibilidade e distúrbios visuais. A doença costuma se manifestar principalmente entre os 20 e os 50 anos de idade.
A bancária Carine Ferreira, de 46 anos, enfrentou uma longa jornada até receber o diagnóstico correto. Durante quase duas décadas, conviveu com sintomas sem uma explicação definitiva e passou por diversos atendimentos médicos. Em muitos momentos, os sinais da doença foram atribuídos ao estresse.
A confirmação da esclerose múltipla ocorreu apenas em 2017. Desde então, ela passou a realizar tratamento com medicamentos de alta eficácia, atualmente disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de manter acompanhamento médico periódico.
O ator e dublador Pedro Alcântara, de 31 anos, também relata que o diagnóstico trouxe impacto emocional significativo.
Segundo ele, o primeiro momento foi marcado por medo e incertezas. Com o passar do tempo e o acesso à informação, compreendeu que é possível manter uma rotina ativa, desde que haja adesão ao tratamento e respeito aos limites impostos pela doença.
Segundo o neurologista Felipe von Glehn, a esclerose múltipla apresenta manifestações diferentes em cada paciente. Sintomas persistentes por mais de 24 horas, como perda de força em braços ou pernas, alterações visuais, dificuldades de equilíbrio e perda de sensibilidade, podem ser sinais importantes para investigação médica.
Um dos principais desafios está justamente na identificação da doença. De acordo com o especialista, não existe um exame isolado capaz de confirmar o diagnóstico de forma definitiva.
A avaliação exige a combinação de informações clínicas, exames laboratoriais, exames de imagem e análises do líquor, além da exclusão de outras enfermidades com sintomas semelhantes.
O diagnóstico é baseado nos chamados Critérios de McDonald, protocolo internacional utilizado por neurologistas para aumentar a precisão na identificação da doença.
Estima-se que mais de três milhões de pessoas convivam com a esclerose múltipla em todo o mundo. Apesar da ausência de cura, especialistas destacam que os tratamentos atuais conseguem alterar significativamente a evolução natural da enfermidade, reduzindo a frequência das crises e retardando o avanço dos danos neurológicos.
Os medicamentos de alta eficácia são considerados um dos principais avanços no combate à doença e estão disponíveis tanto na rede pública quanto na saúde suplementar.
A maioria dos pacientes apresenta boa resposta às terapias, conseguindo manter atividades profissionais, sociais e familiares com acompanhamento adequado.
Especialistas ressaltam que a continuidade do tratamento e o monitoramento médico regular são fundamentais para controlar a progressão da doença.
O acompanhamento contínuo ajuda a prevenir novas crises, preservar funções neurológicas e proporcionar mais autonomia e qualidade de vida aos pacientes.
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